Cabul, 25 (AE-AP) - Os cinco homens que sequestraram ontem (24) um avião da Indian Airlines exigiram hoje a libertação de um líder religioso islâmico e de vários rebeldes da Caxemira presos na Índia para soltar 161 passageiros e tripulantes tomados como reféns, informou o porta-voz do movimento Taleban, Wakil Ahmed Muttawakil.
Depois de um périplo por vários países o avião pousou hoje em Kandahar, no sul do Afeganistão, onde foi reabastecido de combustível e alimentos. Os extremistas mataram pelo menos um passageiro e entregaram seu corpo durante uma parada numa base militar dos Emirados árabes Unidos, quando também libertaram 27 pessoas. Não se sabe se há outros passageiros mortos pois, logo após tomar o avião, os sequestradores disseram ao piloto que haviam matado quatro pessoas e ferido cinco. Dois passageiros soltos em Dubai disseram que pelo menos duas pessoas foram mortas a facadas. Uma emissora de TV de Hong Kong informou que o homem morto tinha 25 anos e havia ido passar a lua-de-mel em Katmandu. Sua mulher ainda estaria a bordo.
Muttawakil encontrou-se com dois dos extremistas - o primeiro contato feito por eles desde que desviaram o avião - e afirmou que eles se parecem com os nativos da Caxemira. O Taleban comunicou à sede das Nações Unidas, em Nova York, as exigências dos sequestradores e pediu que a organização negocie com eles. "Nós não queremos que eles fiquem aqui e dissemos isso à ONU", enfatizou Muttawakil. Kandahar está na região afegã sob controle dos talebans. Mas o primeiro-ministro da Índia, Atal Bihari Vajpayee, já adiantou que seu governo não atenderá às reivindicações.
Armados com granadas, pistolas e facas, os sequestradores tomaram o aparelho com 189 pessoas a bordo cerca de 40 minutos depois que decolou do Nepal em direção à capital indiana, Nova Délhi, na sexta-feira, e forçaram o piloto a aterrissar em Amritsar, na Caxemira indiana. Seguiram depois para o Paquistão e os Emirados árabes Unidos .
Um grupo autodenominado Frente de Salvação Islâmica havia assumido a responsabilidade pela ação e pedido a libertação de dois rebeldes da Caxemira, os quais seriam membros do grupo fundamentalista muçulmano Lashkar-e-Tayyaba, cujo QG fica no Paquistão. No entanto, um porta-voz desse grupo negou que eles estejam envolvidos na ação.
O avião levava 150 indianos, 8 nepaleses, 1 canadense, 1 americano, 14 europeus e outras 15 pessoas cuja nacionalidade não foi explicitada pela Defesa Civil.

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