Sequestradores evitam contato com deputado
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Até as 20 horas de ontem os sequestradores da menina Cleucy Meireles de Oliveira, de 12 anos, filha do empresário e deputado distrital Luiz Estêvão, não haviam feito ainda qualquer contato com a família. Cleucy foi sequestrada sexta-feira por três pessoas em frente à Escola Americana, na Asa Sul. Estêvão disse que qualquer iniciativa da polícia para tentar resgatar sua filha terá de ter sua autorização.
Ontem, quando falou à imprensa pela primeira vez desde o sequestro, o deputado, considerado um homem durão, chorou ao falar de Cleucy. E fez um apelo aos sequestradores: Não me interessa saber quem são vocês, mas acredito que tenham sensibilidade.
O movimento na casa da família foi o mesmo dos últimos dois dias, quando mais de 300 pessoas foram ao local, uma mansão do Lago Sul de Brasília. O ministro da Justiça, Íris Rezende, esteve pela manhã na casa do empresário e pediu que a imprensa saísse do caso, para evitar que informações distorcidas complicassem as negociações entre a família e os sequestradores. Os resultados, sem a imprensa, poderão ser melhores, avaliou o ministro.
No início da tarde, Estêvão conversou informalmente com os jornalistas e pediu que todos se retirassem da frente de sua casa. Precisamos de mobilidade e privacidade, afirmou.
Abatido e tenso pela falta de contatos com os sequestradores, Estêvão descontrolou-se e chorou ao falar da filha, que foi sua caçula por dez anos e era a mais ligada a ele. Este homem está arrasado, afirmou. Me lembro a todo momento dela.


