Até as 20 horas de ontem os sequestradores da menina Cleucy Meireles de Oliveira, de 12 anos, filha do empresário e deputado distrital Luiz Estêvão, não haviam feito ainda qualquer contato com a família. Cleucy foi sequestrada sexta-feira por três pessoas em frente à Escola Americana, na Asa Sul. Estêvão disse que qualquer iniciativa da polícia para tentar resgatar sua filha terá de ter sua autorização.
Ontem, quando falou à imprensa pela primeira vez desde o sequestro, o deputado, considerado um homem ‘‘durão’’, chorou ao falar de Cleucy. E fez um apelo aos sequestradores: ‘‘Não me interessa saber quem são vocês, mas acredito que tenham sensibilidade’’.
O movimento na casa da família foi o mesmo dos últimos dois dias, quando mais de 300 pessoas foram ao local, uma mansão do Lago Sul de Brasília. O ministro da Justiça, Íris Rezende, esteve pela manhã na casa do empresário e pediu que a imprensa saísse do caso, para evitar que informações distorcidas complicassem as negociações entre a família e os sequestradores. ‘‘Os resultados, sem a imprensa, poderão ser melhores’’, avaliou o ministro.
No início da tarde, Estêvão conversou informalmente com os jornalistas e pediu que todos se retirassem da frente de sua casa. ‘‘Precisamos de mobilidade e privacidade’’, afirmou.
Abatido e tenso pela falta de contatos com os sequestradores, Estêvão descontrolou-se e chorou ao falar da filha, que foi sua caçula por dez anos e era a mais ligada a ele. ‘‘Este homem está arrasado’’, afirmou. ‘‘Me lembro a todo momento dela.’’

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