São Paulo, 11 (AE) - A 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) absolveu por decisão unânime os sequestradores do empresário Abílio Diniz da acusação de participar do sequestro do publicitário Luis Salles, um dos mais longos do País - durou 65 dias. A decisão pode encerrar, após quase dez anos, o processo do caso, pois o acórdão do TJ é definitivo na Justiça paulista, cabendo recurso do Ministério Público Estadual (MPE) só se a decisão dos desembargadores desrespeitar lei federal ou a Constituição.
O caso Salles era considerado esclarecido pela polícia paulista, que, além da participação de militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) chileno, chegou a suspeitar, mais tarde, de membros de outras organizações da extrema-esquerda latino- americana, entre elas, a Frente Patriótica Manuel Rodrigues, braço armado do PC chileno. Os réus do processo, os chilenos Pedro Lembach e Ulisses Gallardo e o argentino Humberto Paz, foram absolvidos sob a alegação de insuficiência de provas.
O voto do relator do caso, o desembargador Pereira da Silva, foi seguido pelos desembargadores Marcondes D¶ngelo e ¶ngelo Galutti. Assim, eles mantiveram a decisão da 22.ª Vara Criminal, que, em 1995, absolvera os acusados. Além da falta de provas, a defesa alegava inocência. "A única prova era um exame grafotécnico (comparação da letra de um dos réus com a de um bilhete escrito pelos sequestradores) contestado por outra perícia", disse o advogado Iberê Bandeira de Mello Filho.
O MPE havia recorrido da decisão da 22.ª Vara pedindo a condenação dos acusados com base no laudo e em depoimentos. Para a acusação, havia provas suficientes contra os três. "Tudo isso foi uma tentativa da polícia de responsabilizá-los por todos os sequestros ocorridos na época", alega o advogado. Ele refere-se, além dos casos de Salles e de Diniz, ao sequestro do vice-presidente do Bradesco, Antônio Beltran Martinez, levado em 7 de novembro de 1986, em São Paulo. Beltran foi libertado após pagar US$ 4 milhões. Detalhe: quem intermediou o pagamento de seu resgate foi o publicitário. Dois anos e meio depois, seria a vez do próprio Salles ser sequestrado, na zona oeste. Resgate - Os criminosos mantiveram o publicitário em cativeiro de 31 de julho a 4 de outubro. Ele foi solto após o pagamento de um resgate de US$ 2,5 milhões. Ainda naquele ano, em 16 de dezembro, a polícia libertou Abílio Diniz, que havia sido sequestrado cinco dias antes, e prendeu dez dos sequestradores. De 10 a 15 criminosos escaparam. A polícia concluiu que nos três sequestros foram usados métodos semelhantes, estabelecendo, assim, a ligação entre os crimes.
Condenados no caso Diniz, os réus já haviam sido absolvidos no caso Martinez. "Agora, não há nada mais contra eles na Justiça", disse o advogado. Com isso, esse acórdão tem outra consequência: não há mais a possibilidade de uma nova condenação impedir a concessão da liberdade condicional aos presos. Eles devem ser transferidos neste ano para seus países de origem para cumprir o que lhes resta da pena pelo sequestro de Diniz.

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