Sequestradores de Diniz embarcam para o Chile
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sexta-feira, 23 de abril de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 24 (AE) - Os cinco chilenos condenados a 15 anos e oito meses por participarem do sequestro do empresário Abílio Diniz foram transferidos hoje, às 10 horas, para seu país de origem. No Chile, eles deverão cumprir o que lhes resta da pena - os sequestradores estão presos desde 1989, quando o crime ocorreu. A transferência do grupo só foi possível por causa da assinatura de um tratado entre o Brasil e o Chile.
Primeiro, cinco homens da Polícia Federal (PF) em dois carros, um Opala e uma Veraneio, apanharam às 8 horas a sequestradora Maria Emilia Marchi Badilla na Penitenciária Feminina do Butantã, na zona oeste. Um outro comboio com três Veraneio e nove agentes chegou, às 8h10, ao Centro de Observação Criminológica (COC), na zona norte, para pegar os quatro homens do grupo - Hector Tapia, Ulisses Gallardo, Pedro Lembach e Sérgio Urtubia.
Às 8h50, Maria Emilia chegou ao COC e foi recebida por 11 integrantes do comitê de apoio aos sequestradores, que traziam cartazes de solidariedade ao grupo.
Uma hora antes, o comitê havia divulgado uma carta de despedida assinada pelos presos. Nela, os sequestradores dizem que vão pedir o direito à liberdade condicional no Chile, o que lhes foi negado no Brasil.
Dois outros condenados por participar do sequestro, os canadenses David Spencer e Christine Lamont, foram transferidos no ano passado, por força de um tratado semelhante, para o Canadá. Lá, receberam a liberdade condicional no começo deste ano.
Os cinco veículos da PF com os presos deixaram o COC às 9 horas e foram ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Os agentes federais levaram os presos até a pista, onde os chilenos embarcaram num vôo da Varig para Santiago (Chile). No avião, os sequestradores estavam sendo aguardados por 11 agentes da polícia federal chilena, que iriam escoltá-los na viagem.
Agora, permanecem no Brasil apenas os dois irmãos argentinos que participaram do sequestro: Horácio e Humberto Paz. Eles lideraram a ação contra o empresário e estão no COC.
Nova greve - O comitê de apoio aos presos informou que não está descartada a possibilidade de uma nova greve de fome envolvendo os argentinos - no ano passado os sequestradores fizeram duas greves de fome.
De acordo com o comitê, os presos querem que o governo brasileiro cumpra o termo de antecipação de vigência do tratado de transferência, assinado pelo Brasil com a Argentina. Pelo termo, o tratado passaria a valer antes de ser aprovado pelos congressos dos dois países - só o congresso argentino não o aprovou.
O único brasileiro do grupo de sequestradores, Raimundo Rosélio Costa Freire, foi transferido de São Paulo para o Ceará, onde deverá receber o direito à liberdade condicional na próxima semana. Natural daquele estado, Freire pediu à Justiça que lhe fosse permitido cumprir a pena ao lado de sua família.


