Sequestradores de Diniz completam amanhã 10 dias em greve de fome; transferência continua indefinida
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 29 (AE) - Os irmãos argentinos Horário e Humberto Paz, condenados pelo sequestro do empresário Abílio Diniz, entram amanhã (30) no décimo dia de greve de fome - a terceira em 14 meses. Presos no Centro de Observação Criminológica (COC), em São Paulo, eles protestam contra a demora pela sua repatriação. Breno Altman, do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos, disse que o Ministério da Justiça argentino informou às organizações de direitos humanos que as condições para a transferência dos irmãos Paz ainda não foram cumpridas. Alega que a documentação formal de transferência (que incluiu a sentença final traduzida e outros textos legais) não teriam sido entregues pelas autoridades brasileiras.
O secretário Nacional de Justiça do Ministério da Justiça do Brasil, Luis Paulo Barreto, informou que o Itamaraty entregou toda a documentação na sexta-feira ao embaixador Hugo Herrera Vega, em Brasília. "O juiz Otávio Barros, da Corregedoria dos Presídios, liberou os dois irmãos na quinta-feira, o mesmo acontecendo com o Ministério da Justiça", disse Barreto. "Cabe a Embaixada Argentina fazer a comunicação ao Ministério da Justiça de seu país para que envie a escolta para levar os irmãos Paz", acrescentou. Acredita-se que a demora na comunicação ao Ministério da Justiça argentino se deva ao fato do embaixador Vega encontrar-se até hoje no Rio, onde participou da Cimeira América Latina-Caribe-União Européia.
Altman se queixou da "truculência" da direção do Centro de Observação Criminológica que não havia permitido que familiares e amigos dos irmãos Paz os visitassem no fim de semana. "Os funcionários de plantão alegaram estar cumprindo ordens da diretoria, que considera Horário e Humberto em falta disciplinar, por estarem fazendo greve de fome". Ele explicou que só depois dos irmãos terem ameaçado radicalizar sua greve de fome, parando de ingerir água, é que os dois puderam receber visita. "O estado de saúde dos irmãos é precário e, por isso, os esforços diplomáticos devem ser cumpridos imediatamente", afirmou Altman.


