Bogotá, 14 (AE-REUTERS) - Cinco guerrilheiros, aparentemente do Exército de Libertação Nacional (ELN), vestindo terno e gravata e portando pastas do tipo 007, foram os executores do sequestro do avião Fokker-50 da companhia colombiana Avianca, com 46 pessoas a bordo, na segunda-feira, segundo informações de um dos seis reféns liberados na terça à noite.
Luis Flórez, um colombiano aposentado de 76 anos, disse que o sequestro começou cerca de dez minutos depois de o avião ter decolado do aeroporto de Bucaramanga, norte da Colômbia, para um vôo de aproximadamente uma hora até a capital do país, Bogotá. Flórez foi libertado junto a outros quatro idosos e a um bebê de 3 meses.
"Os sequestradores foram os últimos passageiros que subiram a bordo no aeroporto de Bucaramanga, estavam muito bem vestidos e pareciam ser executivos", afirmou o ex-refém. "Quando anunciaram o sequestro, todos eles estavam com o rosto coberto por máscaras de esqui e armados com pistolas."
O avião foi desviado para uma pista de pouso clandestina nos arredores do povoado rural de Vijagual, noroeste colombiano. Nesse local, outro grupo de guerrilheiros aguardava a chegada do Fokker.
"Eles (os guerrilheiros) surgiam de todos os lugares, eram muitos", assegurou Flórez. Após o pouso, as pessoas que estavam a bordo foram retiradas do avião e levadas a lanchas que estavam às margens de um afluente do Rio Magdalena.
O ex-refém informou que os passageiros e a tripulação do Fokker foram obrigados a navegar por rios locais, atravessar pântanos, caminhar pela selva e transitar em jipes dos sequestradores.
Nenhum grupo guerrilheiro colombiano reivindicou a autoria do sequestro, mas funcionários da inteligência do país têm certeza da participação do ELN na ação.
Analistas estimam que a guerrilha tenta dar uma demonstração de força ao governo, que - em meio a discussões para a abertura de negociações de paz - se negou a desmilitarizar uma área próxima ao local para onde foi levado o avião.

mockup