Sequestradores de avião afegão libertam oito reféns
STANSTED, Inglaterra, 07 (AE-AP) - Os sequestradores do avião da companhia afegã Ariana Airlines libertaram nesta segunda-feira (07) oito das pelo menos 150 pessoas que ainda estavam a bordo do Boeing 727 após sua aterrissagem no Aeroporto Stansted, na periferia de Londres. Os reféns - três homens, três mulheres e duas crianças - foram libertados em dois grupos com um intervalo de quatro horas.
Os sequestradores já haviam libertado outras 22 pessoas em troca de suprimentos durante suas paradas anteriores no Uzbequistão, Casaquistão e Rússia, antes de chegarem em Stansted pouco depois das 2h locais (meia-noite de Brasília).
John Broughton, chefe-assistente da polícia do Condado de Essex, disse que as únicas exigências que os sequestradores fizeram à polícia britânica foram um gerador, comida, água, artigos básicos de higiene e alguns remédios.
A polícia britânica informou não poder confirmar a nacionalidade das 157 pessoas que acreditava-se ainda estarem a bordo da aeronave. Elas encontram-se em condições relativamente boas e as negociações com os sequestradores do avião afegão prosseguirão "até onde for necessário".
O Taleban, a milícia integrista islâmica que governa 85% do Afeganistão, indicou hoje que não negociará nem aceitará nenhuma exigência dos sequestradores e exortou a Grã-Bretanha a acabar com o sequestro por meio do uso da força.
Em entrevista coletiva, o embaixador dos talebans no Paquistão
Sayed Mohammed Haqqani, leu um comunicado do líder supremo do grupo integrista, mulá Mohammed Omar, que acusou a aliança de oposição de planejar o sequestro iniciado domingo.
O Boeing 727 da companhia estatal Ariana foi sequestrado quando realizava um vôo interno entre a capital afegã Cabul e a cidade de Mazar-e-Sharif, no norte do país. O Taleban, que assegura estar construindo o mais puro Estado islâmico do mundo, está sob sanções das Nações Unidas que proíbem a Ariana Airlines de voar fora do espaço aéreo afegão por causa da negativa da milícia integrista de extraditar o suposto terrorista saudita Osama Bin Laden, acusado de ter organizado vários atentados.
A oposição afegã, liderada por Ahmed Shah Massod, condenou "com firmeza" o sequestro, afirmou hoje Massud Khalili, ex-embaixador do Afeganistão.
Segundo noticiou no domingo a agência de notícias afegã independente AIF, com sede no Paquistão, os sequestradores teriam exigido a libertação de Ismail Khan, um ex-líder da guerrilha anti-soviética preso desde 1997.
Desmentindo qualquer ligação da oposição afegã com o sequestro
Khalili disse: "Khan é um comandante valioso, mas não queremos libertá-lo por meios odiosos."
As negociações entre os sequestradores, aparentemente seis homens armados, e os agentes britânicos estão sendo realizadas em inglês por meio da torre de controle do aeroporto e não havia nenhuma confirmação de que eles estavam exigindo a libertação de Khan.
No entanto, os negociadores britânicos enfrentavam a complicação de negociar com um país com o qual a Grã-Bretanha não mantém relações diplomáticas. "Não há um governo oficial no Afeganistão com quem possamos negociar diretamente", disse um funcionário britânico.
O governo do Taleban não é reconhecido internacionalmente e, segundo a chancelaria britânica, não há um canal direto de comunicação com a milícia integrista.
Um porta-voz da chancelaria britânica disse que estão sendo mantidos contatos com outros governos sobre o sequestro, sem especificar quais.
Apenas três países - Paquistão, Arábia Saudita e Emirados árabes Unidos - mantêm relações diplomáticas com o Taleban.





