O secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, disse ontem que o sequestrador Fernando Dutra Pinto foi espancado no dia 10 de dezembro por funcionários do CDP (Centro de Detenção Provisória) do Belém. Dutra Pinto apresentou no dia escoriações nos ombros, antebraço direito, braços e coxa direita. Ele morreu anteontem de causa ainda desconhecida.
O secretário não vê ligações entre a briga e a morte do sequestrador. Segundo o secretário o caso não foi apurado porque Fernando não quis. Furukawa não soube dizer quem são os agentes penitenciários que espancaram Dutra Pinto.
O médico Ricardo Cesar Cipriani, que atendeu o sequestrador no CDP, disse em entrevista coletiva que as lesões de Dutra Pinto eram de ‘‘natureza leve’’. O secretário voltou a afirmar ontem que aguarda o laudo final do IML (Instituto Médico-Legal) para confirmar ou não a suspeita de que Dutra Pinto teria morrido por envenenamento. Furukawa disse que pode ser investigada também a possibilidade do sequestrador ter sido vítima de negligência médica.
Na última segunda-feira, o sequestrador foi atendido no ambulatório do CDP, quando apresentou alergia na pele e respiratória. Na terça-feira, foi levado para o PS do Tatuapé, onde tirou uma radiografia do tórax e foi constatada broncopneumonia.
O diretor do Instituto-Médico Legal (IML) de São Paulo, José Jarjura Jorge, disse que o laudo sobre a morte do sequestrador pode não revelar com precisão se houve envenenamento. Ele lembrou que o envenenamento de uma pessoa pode ocorrer de diversas formas, por via oral, através de líquidos ou alimentos, e por via sanguínea. Várias drogas podem alterar a fisiologia normal do organismo, que acaba entrando em colapso e levando a pessoa à morte.

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