A reconstituição do tiroteio que resultou na morte de dois policiais no Flat L'Étoile, em 29 de agosto, protagonizada ontem pelo sequestrador Fernando Dutra Pinto, foi marcada pela polêmica. Advogadas do acusado, líder do sequestro de Patrícia Abravanel, filha do empresário Silvio Santos - que também foi feito refém por ele em sua casa -, e o promotor da Vara de Justiça de Barueri divergiram sobre os resultados da ação organizada pela polícia em Barueri.

A advogada Maura Marques, que defende Fernando, disse que seu cliente reafirmou haver várias outras pessoas, além dos policiais mortos e do sobrevivente Reginaldo Nardes, envolvidas no episódio do 10º andar do flat. De acordo com ela, o acusado contou que algumas dessas pessoas, não identificadas, estariam junto com os policiais e teriam perguntado pelo dinheiro do resgate. Segundo Maura, o sequestrador manteve a versão apresentada à Justiça. ''Ele continua sustentando que não matou ninguém e deu apenas dois tiros para quebrar o vidro e escapar'', disse. Laudo técnico comprovou que os tiros que mataram os policiais no flat saíram da arma usada por Fernando.

O promotor Renato Ferreira dos Santos, que também acompanhou a reconstituição, disse que a descrição do sequestrador, que estava de camiseta branca e cabelos castanhos, não tem a menor relação com os fatos comprovados nas investigações. ''Ele falou em dois números diferentes de pessoas, disse ter fugido por um corredor que não existe e descreveu formas diferentes de abordagem.''

A advogada Simone Caparroz, que também defende Fernando, questionou o promotor, dizendo que ''a versão é compatível com os fatos''.

O delegado Carlos Alberto Sato, responsável pelo caso, também apontou contradições nas declarações do sequestrador. ''Ele não conseguiu precisar o número de pessoas, se eram 4 ou 6.''

O sequestrador demonstrou como teria descido do prédio até o térreo na noite do crime, escorregando pelo vão externo entre as janelas - apesar de, na ocasião, estar ferido com um tiro na região glútea.

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