Sequestrador de Abílio Diniz ganha liberdade
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Agência Folha 
O juiz da Vara de Execuções Penais do Ceará, Paulo Timbó, concedeu ontem sentença dando liberdade condicional para Raimundo Rosélio Costa Freire, o único brasileiro a participar do sequestro do empresário Abilio Diniz, ocorrido em dezembro de 1989.
Junto com Freire, participaram do sequestro dois canadenses, cinco chilenos e dois argentinos. Os chilenos e os canadenses também já foram libertados e se encontram em seus países de origem. A liberdade deles foi conseguida após os presos fazer uma greve de fome que durou 46 dias, no ano passado.
Em seu despacho, o juiz argumentou que a liberdade condicional foi concedida a Freire porque a legislação brasileira garante esse direito para presos que cumprirem mais de um terço de suas penas. Freire foi condenado a 17 anos de prisão e já cumpriu 10 deles. Apesar de ter conquistado a liberdade condicional, Freire só sairá do Hospital Penal Professor Otávio Lobo em Fortaleza, onde está internado desde janeiro passado, na próxima terça-feira.
É que ele só pode sair da prisão quando receber uma carteira de identificação do Conselho Penitenciário do Estado, que só estará pronta naquela data. O advogado de Freire, João Marcelo Pedrosa, disse que vai entrar com um recurso amanhã pedindo a Timbó que Freire seja libertado imediatamente e que se reapresente no recebimento da carteira.
Quando estiver em liberdade, Freire terá de provar que tem uma ocupação legal, no prazo de um mês, e se apresentar à Justiça mensalmente. Freire não pode se ausentar de Fortaleza sem autorização da Justiça, chegar a sua residência depois das 22 horas e frequentar casas de bebidas, jogos e espetáculos.
Por orientação do seu advogado, Freire não está concedendo entrevistas. Pedrosa disse que um grupo de amigos de Freire já conseguiu arranjar um emprego para ele. Segundo Pedrosa, Freire deve também entrar com uma ação pedindo a reabertura de sua matrícula no curso de história da Universidade Estadual do Ceará, na qual estudava antes de se envolver no sequestro.


