Porto Alegre – Depois de cerca de 27 horas, terminou ontem, ao meio-dia, o sequestro do microônibus usado como táxi-lotação no centro de Porto Alegre (RS). O sequestrador João Sérgio dos Santos Pereira, 27 anos, auxiliar de cozinha, sem passagens pela polícia, fez um acordo com a polícia e se rendeu. Os últimos cinco reféns foram libertados. Ninguém saiu ferido.
Pereira – que, segundo a polícia, demonstrava ter problemas mentais – foi levado para fazer exames médicos antes de depor. Os reféns foram encaminhados para o Hospital de Pronto-Socorro para avaliação médica.
Desde o início do sequestro, a Brigada Militar (Polícia Militar gaúcha) usou a tática de cansar o sequestrador, negociando a libertação de quatro reféns pela troca de água, alimentos, cigarros e material de higiene, até forçá-lo à rendição.
O comandante da operação de resgate, coronel Luis Antonio Brener, afirmou que a presença de familiares do sequestrador foi fundamental para o sucesso da operação: ‘‘A negociação e a participação da família fizeram com que ele refletisse e concluísse que era melhor se entregar.’’ O secretário de Segurança, José Paulo Bisol, acompanhou no local os últimos minutos do sequestro.
Pereira, até ontem identificado apenas como Paulo, não portava bombas, segundo a polícia. No dia anterior, ele teria ameaçado explodir o microônibus com uma bomba que carregaria amarrada ao corpo, caso não fossem atendidas suas exigências.
‘‘Eu quero R$ 500 mil e um helicóptero, não sou bandido, não quero matar. Só quero dar de comer para meus dois filhos’’, disse o sequestrador, ontem. Depois, Pereira baixou o pedido para R$ 300 mil e, posteriormente, desistiu do helicóptero.
Por volta das 10 horas de ontem, ele libertou a quarta refém, a advogada Isabel Piva, 53 anos, em uma troca por alimentos, cigarros e produtos de higiene. Ao ser medicada, ela se queixou do mau cheiro existente no microônibus, que não tinha banheiro.
Muitos curiosos permaneceram no local do sequestro durante a madrugada. ‘‘Continuo aqui nas proximidades porque estou tendo um faturamento que nunca tive. Não queria que isto estivesse acontecendo, mas pelo menos estou trabalhando’’, disse Ana Souza, 67 anos, que vendia refrigerantes e lanches.
O sequestro teve início por volta das 9 horas de anteontem, depois de uma tentativa de assalto frustrada pela intervenção da Brigada. O nome do motorista, que foi obrigado pelo sequestrador a dirigir o lotação com os pneus furados pelas balas da polícia quando tentava fugir da perseguição, é Cláudio da Silva Costa, 40 anos.
Além do motorista, foram libertados com a rendição do sequestrador os reféns Luís Carlos Guimarães, 48 anos, gerente da Caixa Econômica Federal; Marina Pessin, 52 anos, jornalista; Maria Clara Pinheiro, 38 anos, contadora, e Elise Ronchetti, 40 anos, professora. Antes, tinham sido libertadas as reféns Maria Dewes, 52 anos, Ana Luíza Delfino Pires, 65 anos, e Nely Pessin, 70 anos.

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