São Paulo - Numa operação arriscada que durou 22 horas, duas gêmeas siamesas da Guatemala foram separadas ontem, num hospital de Los Angeles. As duas crianças, de um ano de idade, nasceram com o topo de suas cabeças grudadas, com as faces voltadas a direções opostas. A cirurgia, que envolveu uma equipe de 50 médicos a um custo de US$ 1,5 milhão, era a sua única esperança de sobrevivência.
Três horas após o fim da operação, uma das garotas, Maria Teresa Quiej-Alvarez, desenvolveu um hematoma e teve de voltar ao centro cirúrgico. ''Apesar da complicação com Maria Teresa, sentimos que as perspectivas para ambas são positivas'', disse Jorge Lazareff, principal neurocirurgião da equipe médica.
Ele explicou que o hematoma era resultado de um acúmulo de sangue sobre a superfície do cérebro. Os especialistas buscavam drenar o sangue para aliviar a pressão sobre o órgão. Maria Teresa e Maria de Jesus compartilhavam veias e tecidos ósseos, mas uma membrana separava seus cérebros, o que permitiu a operação. Casos como o delas são raros: ocorrem em menos de 1 em cada 2,5 milhões de nascimentos.
A parte mais delicada da cirurgia foi separar as veias que conectavam as cabeças. Os médicos cortaram os vasos e tiveram de decidir quais pertenciam a qual criança. Elas tiveram ainda de passar por cirurgias plásticas. Parte do couro cabeludo foi estendido para cobrir a porção da cabeça que ficava grudada.
Filhas de um casal pobre de agricultores, as crianças foram levadas aos EUA com ajuda da ONG Healing The Children.

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