Um dos aspectos mais importantes, alerta a psicóloga Adelaide Rotter, de Londrina, é se conscientizar que é normal sentir raiva, para daí não vir outro sentimento - a culpa. ''Sentir raiva não é feio, mas uma necessidade humana. O problema é que a sociedade nos ensina desde cedo que é preciso lutar contra essa emoção, e aí, além de raiva, a pessoa sente culpa por que não deveria ter um sentimento tão 'destrutivo'', ressalta.

Assumir a raiva que sentiu da sogra no dia do casamento foi o melhor caminho para A. (que prefere não se identificar) ficar em paz, inclusive com o pivô do problema. Foram vários episódios de ''picuinha'' durante o namoro e o noivado, mas o que aconteceu no dia do casamento marcou para o resto da vida.

A. conta que programou toda a cerimônia na igreja, escolheu ''a dedo'' cada música e cada passagem a ser lida, e chegou às 17 horas para o casamento que estava marcado para às 17h30. Mas a sogra chegou 45 minutos atrasada e tudo o que estava programado não aconteceu.

''Chorei muito depois de raiva, mas não deixei de curtir meu casamento'', lembra. E talvez tenha sido essa a melhor forma de superação: ao invés de alimentar a raiva, ela foi viver algo maior e melhor - a nova vida de casada. Não que tenha sido fácil. E, com a união do casal, o afastamento com a sogra foi inevitável. Meses depois, no entanto, foi a vez da sogra sentir falta do filho e se reaproximar.

Sem ressentimentos, A. permitiu a reaproximação e de um ano para cá a convivência ''tem ficado harmoniosa''. ''Não esqueço do que ela me fez, mas a raiva passou. Acho que fui inteligente na hora de administrar a situação. Eu não estaria tão feliz hoje, como estou, e meu marido também não, se tivesse alimentado essa raiva''. (C.P.)



Cuidado, se você...

- está sempre na defensiva
- se está sempre tenso e com dores
- se sempre arruma encrenca no trabalho ou nos relacionamentos
- se fica com insônia, ‘remoendo’ mágoas

Como a raiva se manifesta no corpo:
- aumenta a adrenalina e vários hormônios, especialmente o cortisol
- hipertensão arterial
- taquicardia
- sudorese
- elevação da glicemia, aumentando o risco para o diabetes
- tensões musculares
- perda da concentração e diminuição da memória recente
- insônia
- obesidade
- doenças autoimunes da tireóide como hiper ou hipotireoidismo em indivíduos geneticamente predispostos
- depressão e distúrbios de ansiedade

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