Quem nunca passou por uma situação na vida em que ficou contrariado e teve que seguir uma direção que não queria? Ou ainda - quem nunca sofreu a perda de um ente querido? Certamente, a maioria das pessoas já viveu esses e outros momentos estressantes. O que nem todos deve saber é que isso pode se refletir em dores ou patologias. Uma técnica da fisioterapia chamada Leitura Biológica do Corpo faz a correlação entre sentimentos, eventos traumatizantes, psiquismo e o funcionamento de tecidos e órgãos. Na última semana, o fisioterapeuta de origem belga Emmanuel Corbeel esteve em Londrina, na Escola de Terapia Manual e Postural, ministrando pela primeira vez no país um curso sobre o assunto.
  A técnica, segundo o fisioterapeuta Afonso Salgado, de Londrina, foi criada pelo médico alemão Hamer Kursfassung der Neuen Medezin, depois que este perdeu seu filho e desenvolveu câncer de próstata. Imbuído do senso comum de que há relação entre os conflitos psíquicos, as emoções, os eventos traumatizantes e o desencadeamento de doenças, ele iniciou suas pesquisas. ‘‘Graças a mais de 40 mil pacientes avaliados através de tomografias computadorizadas, ele pode correlacionar diversas patologias, suas instalações e evoluções’’, explica Salgado, lembrando que Hammer fala das doenças como eventos em três níveis - psíquico, cerebral e orgânico.
  Corbeel ressalta que cada pessoa sente e percebe situações, mesmo que parecidas, de maneiras diferentes - por isso cada um reage de um jeito, e há inúmeras formas de repercussões no organismo, de acordo com aquilo que cada um sente. Ele lembra também que, para o ser humano, nem todas as situações de estresse e medo são reais, podendo ser simbólicas ou imaginárias.
  Salgado explica que o local do corpo onde o paciente sentiu maior impacto pelo acontecimento é que determinará a localização da lesão a nível orgânico e cerebral. É por isso que algumas das manifestações dos sentimentos no corpo parecem extrapolar o sentido apenas físico, alcançando o sentido simbólico dos órgãos. Caso da situação citada no início desse texto sobre seguir uma direção que não se quer. A história é verídica e resultou em dores no joelho para o paciente. Possivelmente porque o joelho é uma parte do corpo que, concretamente, nos permite seguir adiante ou mudar de direção.
  Corbeel cita ainda outros casos interessantes: problemas a nível muscular, por exemplo, podem ter relação com sentir-se impotente, já que os músculos servem para realizar atos, provocar ações. Ou ainda, o sentimento de desvalorização pode ter impacto nas articulações e ossos, partes do corpo que permitem movimentos, realizações e se manter em pé. Já os problemas de pele, órgão que permite o contato com outras pessoas e coisas, podem ter origem, segundo o especialista, na falta de contato durante a infância e no medo da perda e da separação.


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