Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou a decisão da Justiça de absolver os três oficiais envolvidos no massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. ‘‘Eu não quero prejulgar, mas a sensação de impunidade é o que impede a consolidação da democracia’’, disse o presidente. Cardoso disse que se manifestava como cidadão, pois como presidente da República não deveria comentar decisões da Justiça.
‘‘Se há algo que revoltou o País e a mim foi o massacre de Eldorado’’, afirmou. ‘‘Isso é inaceitável.’’ Ele pediu que a Justiça ‘‘continue funcionando com aptidão’’. E disse esperar que, nas próximas decisões, o País se sinta mais seguro de que não haverá impunidade. O presidente lembrou que o processo ainda está em julgamento e que haverá revisões.
Segundo ele, o resultado do julgamento não afeta a imagem do País no exterior, mas ressalvou que tanto no Brasil quanto lá fora, todos esperam a apuração de responsabilidades.
Outras autoridades também se indignaram com o resultado do julgamento. ‘‘O Brasil não pode carregar na consciência os 19 mortos de Carajás sem a punição exemplar de quem cometeu isso’’, reagiu o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, que classificou a decisão de ‘‘lamentável’’.
‘‘Decisão judicial que não faz justiça não é para ser lamentada, é para ser anulada por um novo julgamento’’, afirmou o secretário de Estado dos Direitos Humanos, José Gregori. ‘‘É o que eu espero que a Promotoria do Pará faça’’, acrescentou, garantindo que os promotores poderão contar com todo o apoio da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos. Gregori revelou que o resultado o surpreendeu.
Ele reconhece, porém, que o julgamento foi isento de qualquer irregularidade e atendidos todos os preceitos da lei, mas critica os jurados. ‘‘Temos a lamentar que o corpo de jurados não tenha compreendido a profundidade da tragédia de Carajás. É difícil compreender que os chefes da expedição policial, que resultou em 19 mortes e ao que tudo indica seis execuções, não mereçam um determinado tipo de punição’’. Para o secretário, a Justiça ainda não foi feita.
Ao contrário dos dois, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, recusou-se a fazer qualquer tipo de avaliação sobre o resultado do julgamento. ‘‘Jamais um ministro da Justiça poderia dizer se foi justo ou injusto (o julgamento)’’, afirma. Segundo ele, seria uma ‘‘interferência absurda’’ do representante do Executivo sobre o Judiciário. ‘‘Todos me conhecem e sabem o que eu sinto, mas eu não posso me manifestar.’’

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