Um dos órgãos mais importantes do corpo humano vem ocupando a atenção de autoridades de saúde de todo o mundo. Tecnologias criadas em benefício do coração são muitas, mas quando o fator emocional está em jogo, tudo pode ser diferente. Foi pensando na forte ligação que existe entre as emoções e a saúde do coração, observadas ao longo de 35 anos de estudos, que o cardiologista Elias Knobem, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, resolveu organizar um livro sobre o assunto.
  Lançado pela Editora Atheneu, ‘‘O Coração é emoção’’ conta com a participação de cardiologistas, psicólogos, psiquiatras, fisiatras, enfermeiros e nutricionistas que procuram mostrar como nosso corpo reage à tristeza, medo, angustia, ansiedade, luto e até ao amor e à felicidade.
  De acordo com Knobem, além das medidas preventivas já clássicas relacionadas aos hábitos, alimentação e exercícios físicos, o aspecto emocional tem ocupado cada vez mais um lugar de destaque. Segundo ele, à medida que fatores de risco cardíacos conhecidos, como hipertensão, diabetes, entre outros, passam a ser controlados, resta ainda o grande desafio de controlar
o estresse.
  ‘‘Com o tempo você vai percebendo durante as consultas que as emoções tem um papel muito importante naqueles indivíduos que acham que são cardícos e não são. Isso acontece muito. A emoção está no nosso dia a dia e em alguns pacientes essa manifestação ocorre através do coração por meio de batidas mais fortes e outros sintomas’’, conta.
  O médico lembra relatos clássicos de pacientes que desmaiam ou apresentam arritimia cardíaca após o recebimento de alguma notícia ruim ou boa demais. Ele explica que existe uma grande interação entre as emoções que são formadas no sistema nervoso central e manifestadas por meio do coração.
  ‘‘É comum pacientes muito estressados que sentem o coração bater mais rapido ou quando se deita sente o lado esquerdo do peito batendo mais forte e de forma atrapalhada. Enquanto a pessoa não confirma se é cardíaca isso vira um ciclo vicioso e vai deixando
a pessoa ainda mais ansiosa’’, diz.
  Patologias como síndrome do pânico e depressão podem desencadear, segundo o autor, ainda mais problemas cardíacos, sendo que a causa deveria ser tratada com ajuda psicológica ou psiquiátrica.
  ‘‘Quando sente um surto de pânico por exemplo, dificilmente o paciente vai para um psicólogo direto, ele procura um cardiologista ou num clínico porque sente manifestações clínicas disso’’, afirmou Knobem.
  Ainda segundo o médico, há registros confirmando que no mês em que as Torres Gêmeas foram destruídas em Nova York, a incidência de procura por problemas cardíacos extrapolou o comum.
  ‘‘No dia a dia estamos em meio a uma guerra, uma batalha. Olha o que está acontecendo no Rio. Imagine o que não deve estar acontecendo com as pessoas que moram no Complexo do Alemão e as pessoas que passam à noite na Linha Vermelha. Enquanto isso, já está provado por trabalhos científicos que a felicidade tem um efeito protetor. Você tem menos eventos cardíacos nas pessoas mais felizes, mais tranquilas’’, finaliza.

SERVIÇO

‘‘Coração... É Emoção’’, de Elias Knobel.
Preço sugerido: R$ 77.
Editora Atheneu (www.atheneu.com.br).

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