São Paulo-Um consolo para os friorentos de carteirinha. Um estudo publicado na revista britânica Nature mostra a possibilidade de haver uma explicação científica para a sensação de frio. Segundo o estudo, ela seria provocada pela falta de uma proteína específica, a TRPM8, presente nas células do sistema nervoso. A descoberta pode levar os especialistas a desenvolver um tratamento em pacientes que têm alta sensibilidade ao frio.
A conclusão partiu de um grupo de pesquisadores das Universidades da Califórnia, Yale e do Instituto Médico de Wisconsin, depois de experiências em laboratório com ratos. Eles perceberam que as cobaias carentes dessa proteína, quando submetidas a temperaturas mais baixas, não apresentavam grande sensibilidade ao frio. O mesmo pode ocorrer com os seres humanos. Daí, a idéia de um tratamento.
''A proteína pode estar correlacionada com a sensação do frio. Mas não dá para afirmar que seja o fator determinante'', diz Paulo Olzon, professor de Clínica Geral da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Apesar da descoberta ser importante, o professor acredita que a presença e a ausência da proteína esteja ligada à origem do indivíduo.
''Quem tem raízes nos países nórdicos tolera mais o frio que os oriundos dos trópicos. O organismo desenvolve sistemas protetores'', lembra Olzon. Os ursos, por exemplo, acumulam gordura com mais facilidade e são muito peludos para aguentar temperaturas extremas. ''Pelo mesmo raciocínio, as pessoas que nascem em países frios podem produzir TRPM8.''
Há outros fatores que influenciam na sensibilidade às baixas temperaturas. ''A sensação de frio é muito relativa, varia muito de acordo com sexo, idade e massa corpórea'', diz Sérgio Barsanti Wey, infectologista do Hospital Albert Einstein. Quanto maior a quantidade de gordura acumulada no corpo, menor a sensação de frio. Mulheres costumam sentir mais frio do que os homens, pelo fato de ter o metabolismo mais lento.
Pelo mesmo motivo, os idosos sentem mais frio do que as crianças, que são mais ativas.

mockup