Seno reconhece 2 acusados de sequestro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 1999
Sandra Mara Mendes Especial para a Folha 
Os foragidos Genercy de Siqueira e Olmiro Pacheco, acusados de sequestro e tortura do líder sem-terra, Seno Staats, apresentaram-se na tarde de ontem na 19ª SDP de Francisco Beltrão. Eles serão interrogados hoje. Staats reconheceu dois envolvidos no crime. O advogado de Olmiro Pacheco disse que ele vai negar ter agredido e sequestrado a vítima.
Seno reconheceu Pacheco, como líder do grupo, e Nuidir Machado Soares. Ambos eram os únicos sem capuz. Segundo a vítima, que prestou novo depoimento na delegacia, Pacheco parou o veículo e ele foi cercado por homens armados. Seno caiu em contradição, pois no primeiro depoimento disse que todos estavam encapuzados.
A vítima declarou que Pacheco o atingiu com um soco no olho e Nuidir o empurrou para a carroceria da caminhonete, dando-lhe uma coronhada no rim.
Na carroceria, Staats teria recebido ameaças de um rapaz jovem de estatura franzina, que ele não sabe precisar se é José Machado Soares. Depois seus olhos e cabeça foram vendados.
Fiquei em dúvida sobre a identidade de José Machado, não quero cometer nenhuma injustiça, salientou. Seno disse que foi levado a um galpão com uma corda amarrada no pescoço, onde sofreu novas agressões. Seno falou que a ordem dada por Pacheco era matá-lo, caso tentasse fugir, se aparecesse a polícia ou alguém ligado ao MST.
O advogado de defesa de Olmiro Pacheco, Silvio Oliveira da Silva, afirmou que seu cliente negará todas as acusações. Silva disse que Pacheco foi contratado pela fazenda apenas para reforçar a segurança porque havia ameaças de invasão ou incêndio da sede. Quando Pacheco viu a área invadida, estava voltando para guardar a sede da fazenda e no caminho encontrou Seno.
Pacheco teria abordado apenas para avisar da invasão, quando foi informado que era o líder da ocupação. Silva afirma que os patrulheiros apenas convidaram Seno para discutir na sede. Ele diz que seguiram com Seno, Pacheco, Genercy, Nuidir e outro que não recorda o nome.
O advogado contou que Seno pediu 48 horas para as famílias saírem da fazenda. Silva salientou que Seno quer sair de mártir nesta história. Segundo ele, nenhum dos presos é bandido, apenas trabalhavam fazendo a segurança da fazenda.
Ao ser interrogado sobre o fato de Pacheco ter sido excluído do quadro da Polícia Militar em setembro de 97, o advogado disse que seu cliente respondeu processo administrativo por ser acusado de receber propina de sacoleiros do Paraguai e foi absolvido em primeira instância.


