Curitiba- A assessoria jurídica do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) decidiu ontem que vai interpelar a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na Justiça Federal de Brasília para que responda quais os resultados das auditorias e fiscalizações realizadas na malha ferroviária sul, administrada pela concessionária América Latina Logística (ALL) nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Através do pedido de resposta e das medidas cautelares de exibição de documentos, a entidade busca respostas para os acidentes ocorridos nos últimos meses no Paraná com o descarrilamento de vagões.
O mais sério deste mês ocorreu na última segunda-feira, na Serra do Mar, entre o trecho do Véu da Noiva e do Marumbi, quando 35 vagões descarrilaram e a carga com mais de 1,7 mil toneladas de farelo de soja, milho e açúcar se espalhou pela vegetação e pelo Rio São João, que passa no local. ''Ao que parece até agora não houve fiscalização na malha ferroviária paranaense. A última auditoria foi realizada em 2002. Quais irregularidades detectadas foram sanadas? Será que houve acompanhamento?'', questionou ontem a assessora jurídica do Senge, Giani Cristina Amorim.
Esse é o segundo questionamento formal contra a ANTT. Anteontem, o senador do Paraná, Flávio Arns (PT), disse que irá propor no Senado a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a ANTT, que deveria ser uma reguladora das atividades de todas as concessionárias brasileiras de ferrovias. Na auditoria realizada pela ANTT, em outubro de 2002 na malha ferroviária paranaense, foram detectados problemas como defeitos geométricos (o texto aponta que as curvas dos trilhos estavam em condições geométricas irregulares acarretando uma situação desfavorável para o rolamento de trens, acentuando o risco de descarrilamentos). Também foram constatados trilhos com defeitos e vida útil comprometida, juntas de trilhos quebradas e com falta de parafusos de fixação. Além disso, dormentes de madeira não eram tratados para suportar a passagem dos trens, havia água empossada nas plataformas, falta de valetas de proteção e dormentes em estado inicial de apodrecimento.
A ANTT apontou ainda que a situação do trecho ferroviário entre Morretes (litoral paranaense) e Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) era extremamente grave pelas ''más condições da via permanente, com nivelamento deficiente, fixação solta e amassada, plataformas alagadas, canaletas obstruídas e bueiros assoreados que impõem sérios riscos em diversos subtrechos para o transporte de cargas perigosas, em especial ao transporte turístico regular de passageiros de turismo''. As condições de segurança nestes trechos, segundo o relatório da ANTT, estariam abaixo dos padrões mínimos de segurança, ''colocando em iminente perigo vidas humanas e o meio ambiente''.
A assessoria de imprensa da ANTT informou que a ALL encaminhou relatórios mostrando que os problemas detectados nas auditorias foram solucionados. Novas auditorias estão programadas para este ano.

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