Senge alerta para risco de 'apagão logístico'
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quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Estradas projetadas para tráfego de caminhões com até 45 toneladas, falta de sinalização, pontes deficitárias e construídas em rampas ou curvas. Estas foram algumas das constatações feitas ontem, no primeiro dia de Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) em nove trechos rodoviários do Paraná. Engenheiros e técnicos de várias entidades ligadas a trafegabilidade fazem parte da comissão. Os primeiros trechos verificados ontem foram os quilômetros 4 e 17 da PR-423, entre Araucária e Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.
O diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), Paulo Sidney, teme que o Brasil esteja próximo de enfrentar um ''apagão logístico'' por conta das estradas e ferrovias deficitárias. ''Os caminhões trafegam aqui com 75 toneladas. A estrada não foi projetada para isso. Ou se proíbe a passagem de caminhões ou se busca obras de engenharia com padrão próprio para suportar o peso dos veículos que trafegam pelas nossas estradas. Senão vamos continuar correndo atrás do nosso próprio rabo. A matriz de transporte para estas cargas seria a ferrovia -que não cumpre seu papel. E quem sofre são os usuários das estradas, cada vez mais expostos a acidentes'', salientou Sidney.
O gerente regional do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) em Curitiba, Mario Guelbert Filho, disse que não estão sendo feitas manutenções periódicas que garantim condições de trafegabilidade nas rodovias. ''As sinalizações verticais e horizontais são obsoletas, os acostamentos estão péssimos, temos desníveis na pista que podem causar acidentes, obras de drenagem precisam ser feitas e não estão sendo realizadas limpezas da vegetação excessiva nas rodovias'', destacou. O engenheiro teme que o período de férias chegue e que as famílias sejam obrigadas a enfrentar a falta de manutenção nas rodovias.
Alguns quilômetros à frente, os técnicos encontraram a ponte sobre o Rio Verde. O recape da pista subiu o asfalto em 14 centímetros e desnivelou o guarda-corpo (que protege a pista para que veículos não caiam na ribanceira ou no rio). ''Aqui temos vários problemas. O pedestre não tem local para trafegar com segurança e pode ser jogado para fora da ponte. Essa ponte jamais deveria ser construída porque fica numa curva horizontal e rampa. Para o calculista que faz a ponte é difícil de estruturá-la e, para os caminhões que descem a rampa, quase impossível frear sem esbarrar no guarda-corpo'', apontou Luiz Mitsuaki Sato, conselheiro do CREA.
A largura da ponte é ideal: de 11,2 centímetros. Mas em alguns pontos, o guarda-corpo já foi arrancado. Segundo o engenheiro José Alfredo Brenner, do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), o ideal seria reforçar o guarda-corpo e subi-lo para compensar o volume dado pelo recape da pista. A fiscalização prossegue até o dia 19, quando os órgãos envolvidos farão um documento analisando a situação e pedindo providências aos órgãos administrativos.
O gerente de Obras e Serviços do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Tadeu Glowacki, disse que o órgão tem projeto de reestruturação da PR-423 que deve estar concluído até dezembro. Estão previstas recomposição da pista, drenagem superficial e profunda, novos acostamentos e fim dos desníveis. O guarda-corpo da ponte será recomposto. Não há previsão para que o guarda-corpo seja elevado. A idéia é começar as obras até o junho do ano que vem.


