Senegalês incendiado recebe alta
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domingo, 13 de setembro de 2015
Paula Sperb<br> Folhapress 
Porto Alegre - O imigrante senegalês Cheikh Oumar Foutyou Diba, de 25 anos, incendiado por três homens enquanto dormia na calçada, recebeu alta da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) na noite de sábado, em Santa Maria (a 251 km de Porto Alegre). Diba dormia em um colchão na calçada quando acordou com o fogo e viu os homens correndo. Eles roubaram seus tênis, R$ 500 e uma maleta de bijuterias que seriam vendidas pelo senegalês. O crime ocorreu por volta das 9h de sábado.
Antes, ele tentou dormir no albergue municipal, mas foi proibido de entrar. Segundo a assistente social Miriane Correia da Silveira, de 28 anos, o homem foi barrado porque estava "muito alcoolizado". "É uma norma por medida de segurança para os demais acolhidos", justificou a assistente. Diba, porém, contou a voluntários do grupo Migraidh (Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional), da Universidade Federal de Santa Maria, que é muçulmano e não consome bebida alcoólica. O grupo acolheu o imigrante.
Diba está na cidade há cinco dias e dormiu no albergue na quarta e quinta-feira. Segundo os voluntários, ele não conhece os outros senegaleses da cidade e busca um emprego para poder enviar dinheiro à família, que permanece no Senegal.
Assim que acordou com as chamas, Diba buscou socorro em uma padaria próxima. "Ele entrou e pediu um café. Mas estava gemendo muito e começou a chorar, daí contou o que aconteceu", diz Dionéia Beck, de 46, proprietária da padaria. "A pele das pernas dele parecia que ia descolar", relata.
O homem foi atendido pela Brigada Militar (a PM gaúcha) e conduzido à emergência pelo Corpo de Bombeiros. Outra funcionária da padaria, Lidiane Silveira Rocha, de 19, conta que Diba relatou que foram três homens os responsáveis pelo ataque. "Ele disse: Meus amigos brasileiros me queimaram", afirma.
O Migraidh divulgou uma nota de apoio ao imigrante em que diz que "concentrará seus esforços no acompanhamento das investigações junto à autoridade competente, a fim de que os autores deste crime sejam legalmente responsabilizados, para que as correspondentes reparações sejam promovidas".
A Polícia Federal investiga o caso, mas não tem nenhum suspeito. De acordo com a polícia, o senegalês possui passaporte, está em situação legal no país e não se comunica bem em português, o que dificultou o registro dos detalhes da ocorrência.


