Sendas quer resistir à internacionalização do setor
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 10 (AE) - O Grupo Sendas, que em junho comprou 17 pontos de venda da rede Três Poderes para ficar entre "as cinco ou seis" maiores cadeias de supermercados do País, como revelou na época o empresário Artur Sendas, mantém a determinação de resistir à tendência das incorporações, que vem predominando no setor. "Somos compradores", diz o diretor comercial do grupo, Nelson Sendas. "Se tiver alguma boa oferta no mercado para comprarmos lojas, estaremos estudando o negócio." Nelson Sendas
filho do presidente do grupo, que está em viagem de férias, comenta já ter recebido propostas para formação de joint-ventures, que foram recusadas. "A Sendas é e quer continuar a ser uma empresa nacional", diz. "Vamos ver se outras redes mantêm slogan com o orgulho de ser brasileiro", ironiza, referindo-se ao mote publicitário do Grupo Pão de Açúcar, que anunciou hoje formalmente a associação com a rede francesa Casino.
Com 78 lojas e apenas duas delas fora do Estado do Rio (uma em Minas e outra em São Paulo), a Sendas espera inaugurar mais cinco novas lojas este ano e outras cinco no primeiro semestre de 2000. Nelson Sendas prevê um crescimento entre 10% e 15% no faturamento deste ano que deve passar, segundo ele, para algo entre R$ 2,2 bilhões e R$ 2,35 bilhões. Há um mês e meio, quando anunciou a compra do Três Poderes, Artur Sendas havia estimado o crescimento em 20%.
Nelson diz não estar mais preocupado com a associação entre Pão de Açúcar e Casino do que ficaria com a abertura de uma loja de um supermercado local ao lado de uma das de sua rede. "O concorrente local é às vezes mais perigoso, já que conhece melhor as exigências da clientela", diz. Ele apresenta o resultado do primeiro semestre da rede, que registrou crescimento de 6%, acima da média da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), para afirmar que o Grupo Sendas, "é uma empresa líquida, sem nenhuma dívida".
"Concorrência sempre vai existir", resume. "Conheço caso de redes locais que foram compradas e perderam agressividade, outras até fecharam", afirma, recorrendo a motivos éticos para não citar abertamente nenhum desses casos. "Não importa se a concorrência é com o Carrefour, Pão de Açúcar ou Sonae, se ela for feita de maneira correta, a concorrência é boa."


