Brasília, 25 (AE) - Militantes do grupo maoista Sendero Luminoso, do Peru, podem estar infiltrados na Liga Operária Camponesa (LOC) - uma dissidência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) - em Rondônia e Acre. Nos acampamentos Curral e Barragem, em Machadinho D´Oeste, pertencente à organização, o setor de inteligência da Polícia Federal (PF) descobriu diversas publicações em espanhol do Sendero e do grupo Zapatista, do México. A denúncia também foi feita esta semana por cinco senadores da Amazônia que temem uma ação violenta do movimento na região.
Esta semana, a PF vai ouvir o depoimento de dois assaltantes de bancos, suspeitos de integrarem a LOC. O dinheiro arrecadado seria usado para financiar a compra de armamentos. "Com esses depoimentos poderemos esclarecer muita coisa", afirmou o superintendente da PF em Rondônia, Wilson Damázio. Na sessão de quinta-feira, o senador Bernardo Cabral (PFL-AM), baseando-se em informações do Exército, reforçou a denúncia, também confirmadas por outros quatro senadores do Amazônia. "As informações que temos são de que, há possibilidade de ter infiltração de guerrilheiros colombianos na região", afirma o senador Nabor Júnior (PMDB-AC).
Segundo Tião Viana (PT-AC), irmão do governador do Acre, a infiltração pode ser até de grupos paramilitares. "Hoje, no Estado, não há uma ação do MST, mas acontece um movimento às escondidas, um movimento delicado promovido por membros de guerrilha e de organizações de paramilitares de países vizinhos", afirma. O senador Moreira Mendes (PFL-RO) mostrou a cartilha que supostamente seria utilizada pelos integrantes da LOC, onde prega a radicalização do processo de reforma agrária. Os parlamentares, segundo Nabor Junior, vão se reunir com a PF para formalizar a denúncia, que já seria de conhecimento do Comando Militar da Amazônia (CMA).

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