Senadores questionam atividades no fundo de Soros
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar 
Brasília, 26 (AE) - O presidente indicado para o Banco Central, Armínio Fraga Neto, gastou a maior parte do tempo da sabatina de seis horas e meia na Comisão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) respondendo a questões de ordem moral e ética relacionadas com suas atividades no fundo de investimentos do megaespeculador George Soros.
Os senadores de oposição e até mesmo alguns integrantes da bancada do governo concentraram suas perguntas nas denúncias de supostas informações privilegiadas, que teriam sido repassadas por Fraga ao seu ex-patrão, e nas atividades do futuro presidente do BC no mercado financeiro internacional. "Nunca fiz nada que pudesse prejudicar o meu País", reagiu Fraga.
Ele repetiu mais de dez vezes que não passou qualquer informação privilegiada ao seu ex-patrão. A pergunta foi feita pelo senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Jefferson Peres (PFL-AM)
Saturnino Braga (PSB-RJ), José Eduardo Dutra (PT-SE), Roberto Freire (PPS-PE) , Marina Silva (PT-AC) e Ademir Andrade (PSB-PA).
Fraga afirmou, exaustivamente, que só foi convidado para assumir o Banco Central no final de semana e que pediu demissão logo na manhã do dia seguinte, uma segunda-feira, dia 1° de fevereiro. "A insinuação é descabida", garantiu aos senadores.
Segundo Fraga os boatos de que Soros teria ganho dinheiro especulando com títulos brasileiros no mercado seguramente partiram de "algum operadorzinho que perdeu dinheiro". Ele explicou aos senadores que essas acusações sempre ocorrem no mercado financeiro quando alguém perde dinheiro.
O presidente indicado do BC ouviu, na maioria das vezes calado, vários ataques pessoais dos senadores. O senador Saturnino Braga, por exemplo, disse que Fraga é um especulador e que substituiria na presidência do banco uma pessoa respeitável, no caso, o professor Francisco Lopes. Na resposta ao senador, Fraga mostrou-se indignado com os rótulos. "Quero demonstrar a minha indignação com a tentativa de me rotularem como especulador, jogador", declarou.
De acordo com Fraga o rótulo de especulador não faz justiça à sua carreira profissional, que inclui atividades no mercado financeiro, mas também pesquisa e a atividade de professor. Como Saturnino também o chamou de "gênio do mal", Fraga respondeu que não era gênio. "E sou do bem", frisou.
Defesa mesmo, Fraga fez dos demais membros da diretoria do BC. O senador Roberto Freire (PPS-PE) afirmou que a promiscuidade no Banco Central seria aprofundada por Fraga e sua diretoria. "Vejo aqui uma tendência ao pré-julgamento", disse Fraga declarando-se sentido com a palavra promiscuidade, que considerou "acima do limite do razoável".
Ele pediu um voto de confiança aos diretores que estavam sendo indicados e mais de uma vez garantiu que sempre teve um comportamento absolutamente ético na sua vida profissional. "A ética é uma só e se aplica à atividade no setor privado e no setor público", afirmou.
O único momento de descontração de Fraga na sabatina ocorreu durante o questionamento do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Simon disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso tinha sido muito corajoso ao convidá-lo para o cargo e ele, Fraga, mais corajoso ainda de ter aceito o convite. "Se eu fosse o Presidente da República não o teria convidado e se fosse o senhor não teria aceitado", disse Simon.


