Senadores gaúchos tentarão convencer Ford a ficar no RS
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Sérgio Bueno e Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 30 (AE) - Os senadores gaúchos Pedro Simon (PMDB) e Emília Fernandes (PDT) entraram no circuito para tentar convencer a Ford a retomar as negociações com o governo gaúcho sobre a instalação de uma fábrica no Rio Grande do Sul. Os dois, mais o presidente da Federação das Associações Comerciais do RS (Federasul), Mauro Knijnik, foram recebidos hoje pelo governador Olívio Dutra (PT), que reassegurou a "disposição" de voltar a negociar com a empresa.
Simon afirmou que, "se for necessário", telefonará diretamente para o presidente da Ford, Ivan Fonseca e Silva, na tentativa de restabelecer as condições para o diálogo. "O governador garantiu que tem um imenso interesse político na permanência da Ford", disse.
Na opinião da senadora Emília, os políticos gaúchos podem contribuir "na medida em que ajudem a construir a oportunidade para o encontro".
Knijnik, que já havia proposto a constutição de um fundo com contribuições de empresários gaúchos para possibilitar a permanência da montadora, lembrou que a diferença entre a proposta de renegociação do governo e o contrato original é "muito pequena".
O estado propôs-se a garantir R$ 154 milhões entre obras de infraestrutura e financiamento, além de manter os R$ 42 milhões já repassados em 1998 e o conjunto de incentivos fiscais avaliados pelo governo em R$ 3 bilhões ao longo de 37 anos.
Conforme o governador, outros R$ 131 milhões viriam da União e dos municípios beneficiados pelo empreendimento para suportar obras viárias. À Ford restaria aportar R$ 134 milhões, fechando os R$ 461 milhões previstos no projeto original.
"É um valor perfeitamente possível para uma das maiores multinacionais do mundo", disse Olívio, depois da reunião com os senadores. Ele afirmou que a proposta do governo "já é um enorme favorecimento" à empresa e criticou o assédio de outros estados interessados em receber a fábrica da Ford. "Esta é a guerra fiscal contra a qual nos insurgimos", declarou.
O governador reiterou que aguarda uma resposta formal da companhia sobre a proposta apresentada quarta-feira. Desde ontem à noite o chefe de gabinete de Olívio, Laerte Meliga, telefonou três vezes para o presidente da Ford, mas não obteve resposta.
Ética - A disputa entre estados pela fábrica da Ford ganhou destaque hoje no painel Ética na Política, do 1º Fórum Federasul de Ética, da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul. O deputado federal José Genoíno (PT-SP), criticou a postura da companhia. "Nos seus países de origem, estas empresas não têm tanta arrogância", afirmou. Citando a sentença "todo poder emana do povo e em seu nome é exercido", o parlamentar observou que "o governo não pode aceitar imposição".
"Fiquei impressionado com a oferta de Olívio Dutra. A oferta é boa", disse o deputado Emerson Kapaz (PSDB-SP). "A Ford deveria achar excelente a proposta. Negociação não é rendição." Ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, ele lembrou que São Paulo "não abriu mão de ICMS" nas suas negociações.
Outro debatedor, o ex-prefeito do Rio César Maia, disse que o caso é "fácil de ser equacionado", recorrendo a recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para complementar as parcelas que o estado não pode cobrir. Maia teme pela insegurança jurídica que o caso possa gerar junto a outros investidores, mas admitiu que, se o contrato "for de cumprimento inviável" é lícito procurar renegociá-lo.


