Porto Alegre, 1 (AE) - Os senadores gaúchos Pedro Simon (PMDB) e Emília Fernandes (PDT) esperam que na reunião de amanhã entre o governador Olívio Dutra (PT) e o presidente Fernando Henrique Cardoso seja formalizada uma "trégua" nas discussões sobre a dívida pública estadual. Na opinião deles, o presidente deve garantir a suspensão dos bloqueios de repasses de recursos para o Rio Grande do Sul, determinados como resposta aos depósitos judiciais de partes dos pagamentos que deveriam ser feitos pelo Estado à União.
Simon é o mais otimista. Ele confia no estabelecimento de um prazo para o entendimento e sugere que durante este período a União libere as verbas constitucionais para o Estado e o governo gaúcho retire as ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando inclusive os termos globais do acordo de refinanciamento da dívida. "Eles vão encontrar um entendimento", declarou.
Emília Fernandes disse que, embora o presidente da República não reconheça, os cortes de recursos para Minas Gerais e Rio Grande do Sul são "retaliações". De acordo com ela, o levantamento dos bloqueios deve ser o "o primeiro ponto" da discussão, pois eles "impedem o diálogo" entre as duas partes. A senadora também quer mudanças nos critérios que definem o cálculo da receita líquida do Estado, as compensações da Lei Kandir e o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF).
Os dois senadores participam neste momento de um almoço com o governador Olívio Dutra e parte da bancada gaúcha na Câmara dos Deputados no Palácio Piratini. Olívio, que deverá dar entrevista por volta das 14 horas, quer o apoio dos congressistas gaúchos nas discussões sobre a dívida com a União. Segundo a assessoria de imprensa do governo, 17 dos 31 deputados confirmaram presença, mas até as 12h30 haviam chegado 12. Desses
seis são do PT, dois do PDT, dois do PPB, um do PFL e um do PTB. O terceiro senador gaúcho, José Fogaça, não compareceu.

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