Senadores e técnicos recolhem amanhã documentos no Rio
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Ribamar Oliveira e Cláudia Carneiro 
Brasília, 20 (AE) - Dois senadores e dois técnicos da CPI dos Bancos desembarcam, amanhã (21), no Rio com a missão de recolher os documentos apreendidos nas residências do ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes, e dos donos dos Bancos Marka, Salvatore Alberto Cacciola, e FonteCindam. Os documentos estão em poder da juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal. A missão é chefiada pelo relator da CPI, senador João Alberto Souza (PMDB-MA) e conta ainda com o senador Saturnino Braga (PSB-RJ), com o delegado aposentado da Polícia Federal (PF) Paulo Lacerda e com o auditor do Senado Hipólito Gadelha.
A decisão de ir ao Rio buscar os documentos, considerados "estarrecedores" pelo relator, foi tomada depois de muito bate-boca entre os integrantes da CPI. O comando da CPI levou um dia inteiro para decidir como requisitar os documentos e resistiu o quanto pôde à insistência da oposição de enviar os próprios membros da comissão ao Rio. "Vamos enviar uma comissão de técnicos para receber o material", anunciou o presidente da comissão, Bello Parga (PFL-MA).
Foi o suficiente para metade dos integrantes da CPI protestar. "Melhor seria se esses técnicos fossem acompanhados de pelo menos um senador, como o senador Romeu Tuma, que tem experiência no ramo", propôs o senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO). "Estou à disposição, mas não vejo necessidade disso"
respondeu Tuma. Parga tomou o microfone, no plenário do Senado, para pôr fim à polêmica. "Essa presidência é quem decide e ela decide que não irão senadores." Dez minutos depois, Parga acabou acatando o pleito do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), de requerer a ajuda de Saturnino Braga para examinar, um a um, todos os papéis no Rio.
Souza prevê estar de volta a Brasília até sexta-feira (23), depois de fazer uma seleção dos documentos que interessam à CPI. "Não é o caso de análise da CPI a contabilidade dos bancos", afirmou ele. Souza quer evitar uma dispersão dos trabalhos da comissão e admitiu hoje não saber ainda o destino que será dado a outros documentos que vem recebendo desde que a CPI foi instalada.
Segundo ele, são denúncias envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante a gestão de Luiz Carlos Mendonça de Barros, o Banco do Estado do Ceará e o Banco da Amazônia. "Se esses documentos não estiverem ligados com o fato determinado da CPI, terão de ser destinados à apuração adequada", propôs o senador Jáder Barbalho (PMDB-PA).
Na análise dos documentos do Banco Marka, apreendidos pelos procuradores do Ministério Público do Rio de Janeiro, foi encontrado um patrocínio de R$ 3,6 milhões à Federação Brasileira de Vela Motor. Os integrantes da CPI consideraram estranho que um banco tenha arcado com um patrocínio de valor equivalente a quase a metade do lucro que obteve no ano passado, de R$ 8 milhões. A desconfiança é que esse pagamento possa ser algum mecanismo de lavagem de dinheiro.


