Brasília, 22 (AE) - A conveniência de o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), comparecer ou não a Brasília para participar de uma reunião com os 27 senadores do partido está gerando uma crise dentro da bancada. Hoje, os senadores dividiam-se entre aqueles que apóiam a presença do governador mineiro e os que acham que o gesto de receber Itamar para uma conversa com a bancada só agravaria o impasse entre Minas Gerais e o governo federal.
Ontem (21) à noite, em entrevista ao jornalista Boris Casoy, no programa "Passando a Limpo", da Rede Record de Televisão, Itamar voltou a cobrar um convite do PMDB para dar os esclarecimentos da situação de Minas Gerais. A decisão será tomada amanhã (23) entre os senadores do partido. Mas hoje mesmo
o presidente nacional do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), tentava desmobilizar o encontro. "Se a bancada decidir, eu irei convidá-lo", disse Barbalho. "Mas acho que o governador de Minas precisa conversar com o presidente e não com a bancada", ponderou. Na verdade, o que o governo deseja é evitar, de todas as formas, que Itamar venha a Brasília, uma vez que isso daria ao governador mineiro o palanque nacional tanto deseja por ele.
O governo ganhou a primeira batalha, ao evitar que Itamar participasse de uma sessão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. "Quanto mais for dado o microfone ao Itamar, mais ele desajuda a causa que defende", ironizou o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), ao ser perguntado sobre uma possível presença de Itamar no Senado. Ele também rebateu a existência de qualquer articulação para impedir a presença do governador mineiro na CAE. "Que coisa doida!", respondeu ACM.
Mas a articulação existe. "Querem evitar que ele fale"
denunciou o senador Roberto Requião (PMDB-PR). Para tentar neutralizar a iniciativa do governo, o senador José de Alencar (PMDB-MG) iniciou um corpo-a-corpo junto aos outros 26 integrantes da bancada para garantir o espaço de Itamar no Senado. "O PMDB é heterogêneo", afirmava Alencar, evitando comentar a posição de Barbalho.
O líder do partido foi sincero com Alencar. "Não queremos palanque para ninguém, mas sim uma negociação entre Itamar e Fernando Henrique", ponderou Barbalho. "Afinal, ao mesmo tempo que damos solidariedade política a Itamar, temos de dar solidariedade ao presidente que nós apoiamos", disse o senador paraense. "O caminho adequado não é aqui e se alguém quer fazer proselitismo político; o PMDB não é o local para isso", completou Barbalho, que ganhou apoio de boa parte da bancada.
"A presença de Itamar no Senado não resolve o problema de Minas nem do Brasil e ainda pode agravar a crise", disse o senador Gerson Camata (PMDB-ES). Mas essa posição não é consenso. Pelo contrário. Até na Executiva Nacional do partido as opiniões divergem. O vice-presidente nacional do PMDB, senador Maguito Vilela (GO), saiu em defesa de Itamar. "O governador mineiro é um homem experiente e acho que nós só temos a ganhar ouvindo homens experientes", ponderou Vilela. O senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) também quer ouvir Itamar. "É legítima a vontade dele em discutir com os senadores do partido a situação de seu Estado", defendeu Lima.

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