Brasília, 01 (AE) - Senadores do PMDB entendem que, sem o pagamento das contas de Minas Gerais e a recusa do governador Itamar Franco (PMDB) em se reunir com o presidente Fernando Henrique Cardoso, nada poderão fazer para ajudar o colega de partido.
"Essa guerrilha pessoal não leva a nada", afirmou o senador Gilberto Mestrinho (AM). "No momento difícil que o País atravessa, precisamos salvar a todos e não apenas a alguns." Realizado a pedido de Itamar, o encontro começa às 11 horas, no gabinete da liderança.
Para o senador Gilvam Borges (AP), o governador de Minas Gerais "deve deixar de fazer beicinho, de fazer pavulagem e dialogar". "Itamar está precisando de um banho de sal grosso"
sugeriu. O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), afirmou que vai insistir pela retomada do entendimento entre Itamar e Fernando Henrique. "A bancada vai ouví-lo, mas continuamos convencido que, sem o diálogo, nada avançará."
É a primeira vez, desde eleito, que Itamar conversará com políticos que não comungam com as idéias dele. Os contatos dele, até aqui, têm limitado-se a integrantes da oposição, a membros da União Nacional do Estudantes (UNE), a prefeitos e a líderes de Minas Gerais que apoiaram a candidatura do peemedebista. Dessa vez, os argumentos dele sobre a sobrevivência financeira do Estado serão contestados por12 senadores que governaram Estados. São eles quem mais se opõem à moratória proposta por Itamar. "As condições de hoje são bem melhores do que há cinco anos", argumentou o senador Ronaldo Cunha Lima (PB).
Outro ex-governador, Mestrinho lembrou que as dificuldades do momento exigem que Estados e União procurem juntos as soluções. "É essa capacidade do diálogo que torna o homem inteligente", argumentou. O senador e presidente da Confederação Nacional da Indústria, Fernando Bezerra (PMDB-RN), vai encontrar-se com Itamar poucos dias depois de ter divulgado uma nota reclamando do tratamento que ele tem dado aos empresários do Estado. Para Bezerra, um honmem que foi senador, presidente "e um monte de outros ex, não pode adotar uma posição intransigente, prejudicial a Minas". "Vamos ouvir suas ponderações", frisou. "Mas sabemos que, sem um diálogo racional, a situação continuará a mesma."
O senador José Fogaça (RS) lembrou que o Senado não tem o que fazer no impasse criado por Itamar com o governo federal. Ele argumentou que a Casa, composta por senadores de vários Estados, em nenhuma hipótese, apoiaria uma decisão prejudicial aosdemais Estados. É assim que ele vê a posição adotada por Itamar "porque, quando um (governador) não paga as contas, os outros é que são obrigados a arcar com os prejuízos".
Às 17h30, o governador de Minas Gerais vai encontrar-se com os senadores do bloco da oposição. A reunião também será no Senado, no gabinte do segundo vice-presidente, Ademir Andrade (PA).

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