Senadores denunciam Estevão por tentativa de intimidação
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Rosa Costa 
Brasília, 24 (AE) - A acusação de que o senador Luiz Estevão (PMDB-DF) tentou intimidar a líder do PT, Heloisa Helena (AL), apontando para ela o dedo como se puxasse o gatilho de uma arma, ocupou boa parte da reunião de hoje o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), com parlamentares. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) relatou o episódio no encontro como "algo grave", entendido por ele e seus colegas como uma ameaça de morte. A tentativa de intimidação teria ocorrido por conta do pedido de cassação do mandato de Estevão apresentado pela oposição.
Heloísa Helena disse que o fato ocorreu na quarta-feira, pela manhã, na sessão do conselho de ética. E que à tarde Estevão a procurou em plenário dizendo que o seu gesto era uma brincadeira. "Eu respondi que era uma brincadeira de muito mau gosto porque foi feita num ambiente tenso", informou. "Mas que eu não me assustei nem com as metralhadoras em minha terra nem com o procedimento dele."
Luiz Estevão disse que nada disso ocorreu. "A senadora Heloísa Helena está sonhando", rebateu. "Daqui a pouco o PT vai querer cassar meu mandato sob a alegação de que eu tenho tique nervoso." Estevão também negou que tenha intimidado o senador Lauro Campos (PT-DF), ao lhe dizer que, se vier a ser cassado, outros senadores também serão. Na reunião, Campos informou que Estevão tem insistido nesse tipo de declaração.
"Esse Luiz Estevão é um mau caráter que não tem coragem de assumir o que faz", protestou Heloísa Helena. De acordo com a líder, são fatos como esse que justificam a sugestão feita pelo senador José Eduardo Dutra (PT-SE). Dutra propôs que cada um dos integrantes do PT tenha o cuidado de verificar rotineiramente o saldo bancário "para não correr o risco de ele (Estevão) tentar fazer depósitos irregulares para ter o que acusar".
O presidente do Senado e o líder do PMDB, Jader Barbalho (PA) minimizaram o episódio. "Isso eu confesso que pode ter sido um outro gesto e ela pensou que fosse um revólver ou outra coisa que valha, como um gatilho", afirmou ACM. "Eu não posso garantir que foi mas também pode não ter sido." Irônico, Barbalho disse que "a denúncia é tão grave e preocupante que estão sendo convocadas a CIA e o FBI".
A reunião de ACM com líderes e outros parlamentares - convocada para discutir o encaminhamento no conselho de ética das três representações recebidas no Senado nos últimos dias - resultou nas seguintes medidas: os relatores dos processos contra os senadores Luiz Otávio (sem partido-PA), Romero Jucá (PSDB-RR) e Teotônio Vilela (PSDB-AL) deverão dizer na semana que vem se consideram as denúncias procedentes. Outra decisão é a de propor mudanças à Resolução que instituiu o Códido de Ética. De acordo com ACM, o presidente do conselho, Ramez Tebet (PMDB-MS), agiu dentro da lei ao exigir que a Mesa encaminhasse o processo contra Estevão e ao designar sumariamente os relatores das demais representações. O senador disse que a regra deve ser alterada para tornar obrigatória a triagem pela Mesa Diretora de todas as denúncias encaminhadas ao Senado contra parlamentares.


