Brasília, 09 (AE) - Senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário reclamam da falta de colaboração dos Bancos Central (BC) e do Brasil (BB) e de outros órgãos do governo. Eles temem chegar ao prazo final dos trabalhos sem dispor de dados para concluir as investigações.
Das 130 contas bancárias que tiveram o sigilo quebrado pela CPI, somente quatro, relacionadas à Paraíba, foram rastreadas. A morosidade ou o boicote no fornecimento de dados também atinge os requerimentos sobre quebras de sigilos fiscais e telefônicos pedidas pela comissão nos últimos 76 dias.
O presidente da CPI, Ramez Tebet (PMDB-MS), informou que continuarão suspensos - embora faltem menos de dois meses para o fim das investigações - os depoimentos de suspeitos nas denúncias, enquanto não forem fechados os dados que permitam aos senadores contraditar as declarações. É o caso dos donos da Ikal
Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Ferraz, acusados de participar do desvio de quase R$ 300 milhões aplicados nas obras inacabadas do Fórum trabalhista de São Paulo. Para o vice-presidente da comissão, Carlos Wilson (PSDB-PE), o limite de paciência com o BC e o BB está chegando ao fim. "Se esses bancos continuarem a agir com morosidade, serão coniventes com as irregularidades", afirmou. "Acho que temos de reiterar as solicitações de forma mais dura porque estamos defendendo o interesse público."
O senador José Eduardo Dutra (PT-DF) espera há mais de dois meses uma resposta do Departamento de Aviação Civil (DAC) sobre o nome do proprietário e dos passageiros e o número de registro do jatinho em que viajaram de São Paulo para Brasília, com o objetivo de pedir dinheiro para as obras do fórum, os ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. O ofício aos oficiais do Ministério da Aeronáutica foi reiterado duas vezes, sem ter até agora resposta.
Outro caso "inaceitável" apontado por Dutra é a total falta de informações do BB sobre a chamada conta-mãe, onde o governo depositava os milhões destinados à obra. "É grave saber que o Banco do Brasil é o mais lerdo", criticou. Para mudar a situação, o senador requereu à CPI uma total mudança de procedimentos. Em vez de ficar esperando os dados, a comissão enviaria os representantes para fazer diligências nas agências dos bancos. Seria uma forma de apressar o rastreamento dos cheques, a tempo de obter a relação dos depositantes e dos beneficiários até agosto, quando terminam as investigações.
A irritação dos senadores é reforçada pela constatação de que em CPIs realizadas anteriormente, a agilidade das informações provocadas pela quebra de sigilos era surpreendente. "Nós conseguíamos as coisas em tempo recorde", lembrou o senador Amir Lando (PMDB-RO), relator da CPI do PC, que, em 1992
investigou o esquema de corrupção existente no governo Fernando Collor de Mello. Lando atribui o resultado ao "total empenho" dos integrantes da comissão, que íam pessoalmente atrás de dados nos bancos ou onde quer que fosse. "Até o Mário Covas (na época
senador pelo PSDB de São Paulo, hoje governador) foi a posto de gasolina checar quem pagava o combustível fornecido pela família do presidente", afirmou. "Olha que nós estávamos acuando o presidente", comentou o senador, para mostrar que a CPI não se sujeitou a boicotes nem mesmo numa situação inapropriada.

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