Brasília, 27 (AE) - Senadores aliados fizeram hoje apelos para que o presidente Fernando Henrique Cardoso dê atenção ao protesto dos que participaram da marcha de ontem (26) e priorize as questões sociais do País.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) propôs em plenário que o presidente reúna a equipe "para traçar uma política social séria de combate à pobreza".
Para Simon, o ato foi "uma prova de democracia altamente positiva". "Hoje, existe uma página em branco na frente de Fernando Henrique", afirmou. "Que ele escreva nessa página quais serão os rumos do governo na segunda-feira (30)." O senador defendeu a possibilidade de o presidente mudar os rumos da economia, que considera "fruto da insensibilidade da equipe econômica do governo e dos tecnocratas". Segundo ele, Fernando Henrique deve reunir-se com pessoas mais sensíveis às questões sociais, como o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, e o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente. "A equipe econômica pode até particpar", frisou. "Mas só se for para ficar calada, para ouvir apenas."
No entender de Simon, a marcha foi um sucesso, não apenas pela tranquilidade, mas também pela decisão da oposição de, de acordo com ele, abandonar a idéia de defender a renúncia do presidente da República. Na opinião dele, a manifestação mostrou que "há muita gente magoada com o que está acontecendo e que há necessidade de mudar". Também o senador Carlos Patrocínio (PFL-TO) afirmou que "os manifestantes quiseram chamar a atenção das autoridades constituídas para uma série de dificuldades por que passa o País". Segundo ele, "os parlamentares têm de ficar atentos e aplaudir as manifestações que têm extratos, repelindo aquelas de cunho meramente ideológico".
O alerta ao governo partiu igualmente do senador Romero Jucá (PSDB-RR). No entender dele, "a paz que cercou a marcha e a representatividade dos números obrigam o governo a fazer face a algumas reivindicações justas que foram colocadas". "A manifestação provou que alguns setores podem demonstrar sua insatisfação", defendeu. "Que os governantes podem democraticamente ouvir suas vozes, sem que haja abalo nas instituições."

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