Brasília, 03 (AE) - Os senadores da CPI do Sistema Financeiro adiaram a decisão sobre o pedido de cancelamento da operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, assumida pelo Banco Central logo depois da mudança da política cambial. Numa reunião fechada, realizada antes dos depoimentos de assessores do BC à CPI, os senadores consideraram o momento "impróprio" para propor a anulação da operação, sem ouvir todas as testemunhas do Banco Central, além da direção da Bolsa de Mercadorias & Futuro (MB&F).
A CPI poderá deixar para o final dos trabalhos a votação do requerimento do senador Pedro Simon (PMDB-RS) para oficiar o Ministério Público Federal a pedir o cancelamento da operação de socorro feita pelo BC. Se a comissão decidir ainda elaborar relatórios parciais sobre resultados das investigações sobre o sistema financeiro, poderá incluir essa decisão, observou o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), um dos participantes da reunião secreta de hoje que discordaram do pedido de anulação da operação, neste momento. "Temos que, pelo menos, ouvir os depoimentos da direção da BM&F marcados para quinta-feira", justificou Alcântara.
O presidente interino da comissão, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), foi o primeiro a contestar a proposta de Simon
que na véspera foi defendida pelo relator da CPI, João Alberto (PMDB-MA). "É preciso concluir os trabalhos, ver se as operações foram regulares ou não, para só depois decidir o que fazer, se cancelar ou não a operação", argumentou Arruda.
Apesar de considerar "precipitada" a discussão sobre um pedido de anulação da decisão do BC, José Roberto Arruda ressaltou que a operação pode até ter tido base legal, mas, no mínimo, foi imprópria. "Se para fazer um Proer (a operação de socorro financeiro aos bancos privados feita em 1995) precisa de lei, por que uma ajuda dessa não precisa de lei também?", questionou. A operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam custou cerca de R$ 1,5 bilhão, segundo cálculo do relator João Alberto que não foi contestado pelo BC. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) acha difícil anular a operação de ajuda aos dois bancos. "É como tentar recuperar o pingo da chuva depois que ele já caiu", afirmou.
A reunião sigilosa serviu para os senadores desistirem de repetir o procedimento de transformar em secretos os depoimentos marcados para esta semana. O bloco de oposição protestou contra a proposta de tomar os depoimentos dos assessores do BC em reuniões fechadas. Os demais acabaram concordando, com receio de criar privilégios para alguns depoentes.

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