Por Nelson Breve e José Ramos
Brasília, 7 (AE) - O cenário da CPI do Sistema Financeiro transfere-se hoje de Brasília para o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que o presidente Fernando Henrique Cardoso recebe no café da manhã, no Palácio da Alvorada, os presidentes dos partidos políticos da base governista. Os senadores João Alberto Souza (PMDB-MA) - relator da CPI - e Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ) vão ao Rio para acompanhar a abertura de quatro dos cinco envelopes apreendidos pelo Ministério Público Federal na casa do ex-controlador do Banco Marka, Salvatore Cacciola, que será determinada pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro. A revelação desses documentos carrega alguma dose de suspense. No caso de apresentarem informações comprometedoras, poderá inflamar a CPI. Do contrário, ajudará no clima de esvaziamento organizado pelos líderes dos partidos da coalizão govern ista.
Café - É no ambiente descontraído pelo provável esvaziamento da CPI, que Fernando Henrique toma hoje o café da manhã com a cúpula aliada. Além de definir o nome do novo líder do governo no Senado - o mais cotado é o do senador Gerson Camata (PMDB-ES) -, o presidente da República e os presidentes dos partidos deverão definir os termos da atuação unificada com que os aliados tentarão retirar de vez os holofotes da comissão de inquérito para a discussão e votação de projetos de interesse do governo, como o de criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, e emendas como a da reforma tributária.
CPI- Na CPI do Sistema Financeiro, os depoimentos dos diretores da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) mostraram, ontem, que a comissão deve concentrar a investigação nos casos da ajuda do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam. Nem os senadores da oposição tentaram desviar o questionamento para o foco proposto pelo deputado Aloízio Mercadante (PT-SP), que quer uma investigação efetiva sobre os bancos estrangeiros que lucraram com a maxidesvalorização do real. A agenda de trabalhos da comissão para a próxima semana também indica que o "cadáver em putrefação" - como o maestro da CPI, presidente do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), qualificou o caso Marka/FonteCindam - está sendo embalsamado e não sepultado.
Na terça-feira, será ouvido o ex-diretor da área Internacional do BC, Demósthenes Madureira de Pinho Neto. Na quinta-feira, prestarão depoimento o ex-controlador do Banco Marka, Salvatore Cacciola, e o presidente do FonteCindam, Luiz Antônio Gonçalves. A CPI também deverá ouvir o ex-presidente do BC, Francisco Lopes. Esse depoimento está sendo aguardado com expectativa pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Ele espera que Lopes relate à comissão a conversa que teve com o presidente Fernando Henrique Cardoso em 14 de janeiro - dia em que o BC aprovou a ajuda aos bancos Marka e FonteCindam -, durante o almoço com a equipe econômica. Suplicy considera impossível que Lopes não tenha comentado a operação com o presidente.
A insistência do senador petista em levantar essa questão está atormentando a bancada do PSDB na comissão. Ontem, no momento mais tenso dos trabalhos da comissão nessas três semanas, houve um bate-boca entre Suplicy e o presidente interino da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), que quer evitar o respingo do caso em outros escalões do governo.

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