Senador vai pedir suspensão do processo de federalização do Besc
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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Denise Lacerda 
Florianópolis, 24 (AE) - O senador Casildo Maldaner (PMDB) já tem pronto o requerimento que dará entrada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado solicitando a sustação do processo de federalização do Besc que autoriza a operação de empréstimo de R$ 2,1 bilhões entre a União e o governo do Estado. "No momento que a resolução do Banco Central chegar na Comissão vou pedir que o processo pare até que os trabalhos da CPI do Besc na Assembléia Legislativa sejam concluídos", anuncia.
Para o senador, a cifra de R$ 2,1 bilhões é um valor muito alto. "Até o ano passado, o próprio BC atestava que precisaria de R$ 200 milhões para sanear o Besc É apenas 10% do valor que precisa agora. O que houve nesse ínterim?, indaga.
A intenção de Maldaner é municiar os senadores da Comissão com o máximo de informações sobre o rombo no Besc. Ele acredita que somente a CPI, que deve encerrar a investigação em março, pode revelar o que houve no banco. "Só depois disso é que a CAE terá elementos suficientes para fazer uma análise cuidadosa", calcula. "Seriam R$ 2,1 bilhões mesmo? Para sanear e depois vender? A primeira vista isto é uma aberração", dispara.
Para o líder do governo na Assembléia, deputado Paulo Bornhausen (PFL), a posição de Maldaner é política. "O valor é alto porque o rombo é alto. Somente para o Plano de Demissão Voluntária estão previstos mais de R$ 400 milhões".
Para a deputada Ideli Salvatti (PT), membro da CPI, a CAE não pode se manifestar sobre um "valor astronômico" antes da conclusão da investigação.
Por isso, hoje mesmo ela encaminhou dois requerimentos à CPI solicitando audiência com o relator do processo na CAE e, outro para que os membros da CPI possam ser ouvidos durante a tramitação da resolução.
Segundo ela, a CPI já tem documentos que comprovam que houve "premeditação" na privatização do banco e que, segundo cálculos dos técnicos do BC, seriam necessários, no máximo, R$ 800 milhões para sanear a instituição.


