Senador sugere intervenção no Estado
Senador sugere intervenção no Estado
Num discurso inflamado durante a abertura da Expovel, Osmar Dias disse que o governo se recusa a cumprir ordens de reintegração de posse
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Arquivo FolhaCríticasOsmar Dias também atacou os sem-terra: Chegou a hora de dar um basta; o MST já encheu o sacoO senador Osmar Dias (PSDB/PR) disse em Cascavel na noite de sábado que o não-cumprimento de reintegrações de posse no Paraná, pelo governo do Estado, justifica uma intervenção para que as ordens sejam cumpridas por um substituto temporário do governador Jaime Lerner (PFL). Dias fez um discurso inflamado para uma platéia formada basicamente por ruralistas, durante a solenidade de abertura da exposição comercial, agropecuária e industrial, a Expovel, no Parque de Exposições Celso Garcia Cid.
Jaime Lerner chegou a ter presença anunciada dias antes da abertura e esteve na cidade sábado, mas não foi à Expovel porque tinha compromisso particular em Curitiba. Ele foi representado pela vice-governadora Emilia Belinati (PTB). Esteve presente também o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que discutiu com produtores problemas da agropecuária. O secretário estadual de Agricultura, Antonio Leonel Poloni, fez discurso contrapondo ações do Governo Lerner aos que o antecederam do irmão de Osmar, senador Álvaro Dias (PSDB), e do senador Roberto Requião (PMDB).
Osmar disse não querer ser indelicado, atacando o governo de Lerner em sua ausência, pois gostaria de dizer isso na sua presença. Para o senador, o governo se recusa a cumprir as inúmeras ordens judiciais, fortalecendo a hipótese de uma intervenção. Ele também atacou a organização dos sem-terra: Está na hora de dar um basta. Este MST já encheu o saco. O secretário Poloni evitou abordar diretamente os conflitos fundiários, mas lembrou ações do governo em favor dos produtores, como controle de sanidade de rebanhos, eliminando pestes e doenças que avançavam em governos anteriores.
Poloni também observou que o Banco da Terra será um grande instrumento para dar acesso à terra, sem invasões. A vice-governadora Emilia Belinati também não respondeu diretamente ao senador, preferindo lembrar que o governo sempre esteve receptivo aos reclamos dos produtores, apoiando-os em todos os momentos. Durante o dia, Lerner havia dito que o Estado não pode enfrentar sozinho as questões fundiárias e resolver os conflitos, e atribuiu responsabilidade ao governo federal. Segundo o governador, a descentralização da reforma agrária até agora efetivamente não ocorreu.
O ministro Pratini de Moraes disse que está encarregado pelo presidente da República de ações que fortaleçam o Brasil na competição internacional, na agropecuária, com a busca de novos mercados e quem criar dificuldades para nossos produtos, criaremos o mesmo ou até mais para eles, principalmente na questão de subsídios aos produtos. Pratini lembrou que no dia anterior havia proibido a importação de cavalos americanos, porque eles estão sendo atacados por vírus.
O ministro disse ainda que o Paraná receberá imediatamente estoques de milho da Conab, transferidos de outras regiões do País, para atender emergencialmente a falta do cereal no Estado para a alimentação de rebanhos, principalmente de pequenos produtores. Entre janeiro e fevereiro, anunciará um programa que vai dar grande impulso à cultura. Apesar disso, frisou que os grandes devem assumir sua parte, importando milho, se necessário, cabendo ao governo dar-lhes o suporte logístico para facilitar as importações.





