Senador rebate denúncias e reclama de perseguição política
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Carlos Mendes 
Belém, 11 (AE) - O senador Luiz Otávio (sem partido-PA) afirmou hoje que as acusações contra ele não passam de perseguição política. "Essa denúncia contra mim é uma armação"
reagiu. "Estou sendo perseguido, como aliás venho sendo, desde que me tornei político." Ele acusou o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) de "estar por trás de tudo" e negou ter recebido "qualquer tostão" dos US$ 13 milhões financiados pelo BNDES para construção das balsas. "Mas o pior é que na denúncia da Polícia Federal eu não tive nem direito de defesa; isso é muito estranho."
Agência Estado - O que o senhor tem a dizer sobre a investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal? Luiz Otávio - Em primeiro lugar, eu nunca fui chamado para ser ouvido sobre nada nesse inquérito. Para mim, isso é muito estranho. O caso foi em 1992, mas o inquérito é de 1996. No arquivo da Rodomar nós temos a quitação de tudo. Nós não devemos nenhum tostão ao BNDES. A empresa tem certidão do BNDES dizendo que não deve nada. O que pode ter acontecido é que o Banco do Brasil tenha aproveitado essa conta para rolagem de dívida. AE - O que o senhor fará se o STF processá-lo? Luiz Otávio - Se for o caso, eu estou aqui à disposição do Banco do Brasil, do BNDES, da Polícia Federal ou do Ministério Público. Para mim não há nenhum problema em prestar esses esclarecimentos. AE - O senhor teme que ter o mandato cassado? Luiz Otávio - Sinceramente, não avalio a coisa dessa forma. Eu não fui nem ouvido. Se fulano ou beltrano estão fazendo denúncia
quando chegar o momento vou me defender. A questão é que, na vida pública, temos esses problemas. Sempre que chega a época de eleição surgem essas coisas. AE - Estão querendo prejudicá-lo? Luiz Otávio - Eu tenho sido perseguido ao longo de toda a minha vida pública. Todo mundo já foi secretário de Transporte em todos os governos do Pará, mas eu nunca vi ninguém ser perseguido. Eu fui e cheguei a ser preso ilegalmente. A origem do problema é o então governador Jader Barbalho. Essa denúncia que fizeram foi armada por pessoas que quiseram fazer uma chantagem. Se pensavam que vão me intimidar estão enganados. Estou aberto a qualquer esclarecimento. Não recebi nada. Nunca fui processado por nada. Vou aguardar a decisão da Justiça. AE - Como o senhor está hoje financeiramente? Luiz Otávio - Eu continuo pobre. Não tenho mais que uma residência, que fica onde moro. Tenho apenas um carro, não tenho dinheiro no exterior, nunca viajei para fora. Também não tenho fazenda, emissora de TV, rádio ou jornal. Não tenho nada. Os que me acusam são os que têm tudo.


