Brasília, 15 (AE) - O relator da emenda constitucional que acaba com os juízes classistas, aprovada quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Jefferson Péres (PDT-AM), vai propor ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), que ouça o juiz classista do Tribunal Regional do Trabalho do Distrito Federal, Cícero Carvalho Figueiredo, sobre uma "caixinha" mantida pela categoria para subornar parlamentares. O relator disse que a denúncia, feita por Cícero em entrevista a um jornal, tem relação com a investigação que a corregedoria está fazendo com relação ao ex-senador João França (PPB-RR). O senador Osmar Dias (PSDB-PR) acusou França de ter lhe proposto "compensação" da parte dos juízes classistas em troca da rejeição à emenda que extingue a categoria.
Jefferson Péres chamou a atenção para o fato de o juiz ter mostrado um ofício da Associação dos Juízes Classistas do DF com a definição dos valores que seriam descontados em folha e repassados à entidade. "A denúncia é muito grave e não pode ser ignorada pelo Senado", defendeu o relator. Ele lembrou que a emenda ainda precisa ser votada no plenário do Senado antes de ser encaminhada à Câmara dos Deputados.
Em plenário, com o apoio da maioria de seus colegas, o senador álvaro Dias (PSDB-PR) vai modificar o texto da emenda aprovada na CCJ, propondo a extinção das 2.386 vagas ocupadas pelos classistas, ao final dos mandatos de seus atuais ocupantes. Com isso, os cargos de ministros no Tribunal Superior do Trabalho (TST) serão reduzidos de 27 para 17.
Nos tribunais regionais, serão extintas as 158 vagas hoje ocupadas por classistas. Nas juntas de conciliação os classistas ocupam 2.218 vagas.
Jefferson Péres disse que concorda com a medida. Ele e Osmar Dias alegam que a iniciativa se ajusta a modificações que devem ocorrer em breve na Justiça trabalhista do País para torná-la para eficiente. Um projeto de lei apresentado pelo relator se ajusta a essas inovações, ao propor a criação de comissões paritárias de conciliação nas empresas com mais de 60 empregados. Nas empresas menores, as questões seriam solucionadas por acordo coletivo. Péres disse que o projeto é embasado por juristas renomados do País, como Arnaldo Sussekind. De acordo com os especialistas do setor trabalhistas, essas comissões solucionarão mais de 50% das questões trabalhistas do País.
O relator mostrou-se preocupado com a possibilidade de modificação em plenário obrigar a devolução da emenda à CCJ, "o que favoreceria aos classistas", mas um acordo apoiado por todos os líderes devem evitar mais esse atraso na votação da proposta.

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