Brasília, 17 (AE) - Disposto a dificultar a aprovação do nome do economista Armínio Fraga para a presidência do Banco Central, o senador Roberto Freire (PPS-PE) vai pedir à Mesa do Senado que rejeite previamente a designação feita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Freire vai alegar no requerimento que apresentará segunda-feira que o economista não atende ao pré-requisito de ter reputação ilibada. Nesse caso, ele entende que o Senado não deve nem submeter sua indicação aos membros da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Freire disse que sua decisão é anterior à suspeita levantada pelo economista americano Paul Krugman, do Massachusetts Institute Of Technology (MIT), porque nunca aceitou a idéia de ter um ex-especulador dirigindo o BC. Krugman afirmou, sem apresentar provas, que informações privilegiadas obtidas por Fraga teriam levado seu ex-patrão, o megainvestidor George Soros, a comprar títulos brasileiros na baixa para vendê-los com lucro uma semana depois.
Para o senador, a designação de Fraga "mostra que o Brasil perdeu todo o referencial de valor". Ele disse que vai agir sem contar com o apoio do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Freire acusou ACM de fazer "um discurso de retórica contra os especuladores num dia e no outro (dia) patrocinar esse Armínio". O senador informou que apresentará um projeto de lei restringindo a servidores públicos o comando do BC e das instituições financeiras públicas do País. Sua intenção é evitar a repetição de situações como a atual.
O senador Osmar Dias (PSDB-PR), membro da CAE, previu que a ação de seu colega não surtirá efeito. Segundo ele, em nenhuma hipótese os parlamentares deixarão de cumprir com o dever por causa de um pré-julgamento.

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