Brasília, 19 (AE) - O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) começa amanhã (20) a cruzar as ligações telefônicas feitas pelo ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo Nicolau dos Santos Neto, acusado de desviar boa parte dos R$ 263
9 milhões destinados à construção do fórum trabalhista do Estado. Ele tenta checar a denúncia de que Santos Neto contava com o apoio do ex-secretário-geral da presidência da República Eduardo Jorge para obter os recursos destinados à obra. A CPI do Judiciário entregou ao senador a tarefa de mapear as chamadas telefônicas feitas por Nicolau nos dois anos em que presidiu o TRT e nos seis anos em que presidiu a comissão de obras do tribunal.
Dutra lembrou que o ex-juiz afirmou em seu depoimento à CPI que havia telefonado "algumas vezes" ao então secretário-geral da presidência para tratar da nomeação de juízes classistas. O senador mostrou que há uma incoerência na afirmação, já que no período da permanência de Eduardo Jorge no governo, Nicolau presidia a comissão de obras do tribunal. "Não tinha, portanto, competência para opinar sobre juízes classistas", defendeu. "Além de que, todos os ex-presidentes do TRT dizeram que, nessa fase, ele deixou de exercer a função de juiz." Outro dado que motivou a CPI foi a declaração do ex-presidente do TRT José Victório Moro, de que as amizades de Nicolau dos Santos Neto no governo "não ocorreram apenas no governo Collor".
Eduardo Dutra espera receber amanhã (20) um programa do Centro de Processamento de Dados do Senado (Prodazen) que facilite o seu trabalho. A CPI também espera receber nos próximos dias um relatório do Departamento de Aviação Civil (DAC) que ajude a identificar a quem pertencia o jatinho utilizado pelo juiz para se deslocar até Brasília em busca de verbas para a obra.
Ao comentar hoje a decisão do vice-presidente do Tribunal de Justiça do Acre, Lersey Pacheco Nunes, de requerer uma liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para impedir a quebra de seu sigilo bancário e fiscal, o vice-presidente da CPI, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), disse que viu a iniciativa como "uma provocação". "É o reconhecimento público de que ele tem medo de alguma coisa", afirmou. O senador frisou que o procedimetno lhe parece totalmente incomum. "Eu nunca vi nada igual, alguém pedir uma liminar preventiva contra uma medida que ainda não foi adotada", observou.
A liminar desse juiz - investigado por uma comissão de inquérito da assembléia legislativa do Estado de obter empréstimo do Banco do Estado do Acre para uma emnpresa pertencente a um traficante - foi concedida pelo ministro Garcia Vieira. Carlos Wilson declarou-se confiante de que o plenário do tribunal vai derrubar a medida. Ele assegurou que a CPI do Senado vai investigar as denúncias feitas contra o vice-presidente do Tribunal de Justiça do Acre, Lersey Pacheco Nunes, e que já dispõe de vários documentos sobre o caso.

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