Senador do PFL defende moratória para plantio de transgênicos
Brasília, 05 (AE) - O senador Blairo Maggi (PFL-MT), maior produtor de soja do Brasil, defendeu hoje uma moratória de três a quatro anos para o plantio de sementes transgênicas no País. Ele pretende apoiar projeto da senadora Marina Silva (PT-AC), que prevê moratória para os alimentos geneticamente modificados, e disse que já propôs a ela uma redução do prazo de cinco anos inicialmente estabelecido. Blairo Maggi lembrou que a União Européia aprovou ontem uma resolução estabelecendo um prazo de três anos para uma melhor avaliação dos efeitos dos organismos geneticamente modificados, e disse que o Brasil não tem razão para aderir rapidamente aos produtos transgênicos.
"Devemos continuar com as pesquisas, apoiando o trabalho da Embrapa, mas liberar a produção não", avaliou. Para o senador, a produção de não-transgênicos é um dos poucos instrumentos que o Brasil tem de ser melhor que a Europa e os Estados Unidos, que subsidiam pesadamente sua agricultura. Blairo Maggi garante que o produtor brasileiro não ganhará nada, por enquanto, com a adesão aos transgênicos, pois, no caso da soja, por exemplo, apenas uma empresa, a Monsanto, detém a tecnologia. "Por que o Brasil tem que abrir seu mercado se só tem uma empresa produzindo e o produtor nacional não terá vantagem nenhuma?" questionou.
O senador acredita que o produtor só terá vantagens de redução de custos depois que outras empresas disponibilizarem a tecnologia da soja transgênica e, até que isto ocorra, o País poderá ter vantagens mercadológicas como o único grande produtor mundial que pode oferecer alimentos tradicionais, sem modificações genéticas. "Tenho a convicção de que, neste momento, o melhor é o País não liberar o plantio da soja transgênica", resumiu. Apesar de já liberado pelo governo, o plantio da soja geneticamente modificada, desenvolvida pela Monsanto, está suspenso por determinação da Justiça. Rótulos - Os alimentos transgênicos importados pelo País deverão trazer nos rótulos que derivam de sementes geneticamente modificadas, de acordo com proposta em discussão pela comissão criada pelo governo para elaborar um projeto sobre rotulagem de transgênicos. Na próxima semana, a comissão deverá aprovar uma proposta preliminar que depois será submetida à consulta pública. Com isto, o governo abre a possibilidade de o consumidor apresentar sugestões a um dos temas mais polêmicos da atualidade, que poderão ser acatadas ou não.
Segundo o representante do Ministério da Agricultura na comissão interministerial que discute as normas para a rotulagem dos transgênicos no País, José Rosalvo Andriguetto, a tendência é de uma proposta de identificação dos alimentos e dos ingredientes oriundos de sementes modificadas geneticamente. Ele explicou que haverá uma regra geral de rotulagem e que os produtos estrangeiros terão de segui-la. "O Brasil vai exigir que o produto alterado geneticamente seja rotulado e os importados também terão de obedecer esta regra", reiterou.
Para alguns produtos como o óleo de soja, onde não é possível comprovar a presença de transgênicos, a rotulagem não será exigida, de acordo com a proposta em estudo pela comissão interministerial, integrada por representantes dos ministérios da Justiça, Agricultura, Ciência e Tecnologia e Saúde. (Mariângela Herédia).





