Belém, 24 (AE) - O senador Luiz Otávio Campos (PPB-PA) vai pedir ao secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, uma devassa no imposto de renda da Companhia Vale do Rio Doce e também nas contribuições previdenciárias da empresa ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo Campos, se a Vale "sonegou R$ 191 milhões do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na importação de equipamentos" para seus projetos no Pará, pode também estar fazendo o mesmo em relação a outros impostos cobrados pelo governo federal. "Comigo ela não terá descanso, porque vou vasculhar tudo", prometeu o senador. Ele disse que a Vale terá de "aprender a respeitar o Pará, a quem só tem discriminado".
A justificativa apresentada pela Vale para não implantar o projeto Salobo, de R$ 1,5 bilhão, no Pará - falta de interesse de parceiros internacionais -, na avaliação do senador é deboche. "Se ela não tem competência para tocar um projeto que vai transformar o Brasil, na virada do novo milênio, de importador em exportador de cobre, então que saia do Pará e abra caminho para outras empresas que desejam investir no Estado."
O senador apóia a iniciativa de deputados estaduais paraenses
aliados do governador Almir Gabriel (PSDB), de derrubar todas as isenções fiscais concedidas à Vale nos últimos 20 anos. "Não tem porque tratar bem quem só nos trata mal." Ele também se diz favorável à retirada da segurança das instalações da Vale, atualmente feita pela Polícia Militar. "A Vale não é mais empresa pública, é privada, então não tem direito a esse privilégio". Procurada em Belém e no Rio de Janeiro, a empresa não quis se manifestar sobre as declarações do senador.

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