Brasília, 13 (AE) - O senador Osmar Dias (PSDB-PR) disse há pouco que as críticas feitas hoje de manhã pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à lentidão do Congresso na votação das reformas são uma estratégia para dividir as responsabilidades pela perda de credibilidade do governo. "O governo está com a sua credibilidade abalada, e isso (as declarações) é muito mais uma estratégia de querer dividir com o Congresso os problemas que estão causando a perda de credibilidade", afirmou. Em pronunciamneto feito há pouco da tribuna do Senado, Dias disse que parte da responsabilidade pelos juros altos cabe mesmo ao Congresso, por não ter votado as reformas estruturais, mas, segundo ele, não se pode separar da causa dos juros altos a política econômica do governo que, segundo o senador, tem sido muito pouco ousada. Além disso, segundo Dias, quando são feitos investimentos, o governo tem-se equivocado, concentrando os recursos em grandes empresas, como, por exemplo, as montadoras de automóveis. O líder do bloco PC do B/PSB na Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), disse há pouco que as críticas de Fernando Henrique à recusa do Congresso para votar as reformas para reduzir os juros são "uma manobra" do tucano com o objetivo de responsabilizar o Congresso pelo não-cumprimento das metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e preparar o terreno visando a exigir mais sacrifícios da sociedade. "Essas declarações são como o fogo de barragem (estratégia militar para dar cobertura à retirada de tropas) para exigir do Congresso mais compromissos e mais impostos", afirmou Rebelo. "Toda vez que o presidente da República se vê impotente para enfrentar um drama, uma encruzilhada, desafios de sua administração, ataca a oposição e, quando vê que a opinião pública não dá crédito a isso, volta-se a um alvo mais frágil, que é o Congresso." Segundo Rebelo, o Congresso deu ao presidente "tudo o que ele pediu até hoje". Ele citou as reforma da ordem econômica, administrativa e da Previdência, as medidas de ajuste fiscal, a criação de contribuições e o aumento de impostos. "O que ele deseja mais do Congresso?", indagou.

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