Brasília, 02 (AE) - A situação do governador de Roraima, Neudo Campos (PPB), e do Tribunal de Justiça deverá ficar mais complicada ainda na segunda-feira, quando a assessoria do Senado
que está selecionando denúncias de irregularidades para a CPI do Judiciário, receberá novas fitas sobre a relação suspeita entre os Poderes Executivo e Judiciário no Estado. O conteúdo das gravações, porém, não será novidade - as denúncias foram reveladas nas eleições do ano passado. Mas promete fazer um estrago ainda maior, reforçando o teor das conversas divulgadas na semana passada.
As fitas envolvem não apenas o desembargador Robério Nunes dos Anjos, que prestava assessoria "informal" ao governador Neudo, mesmo ocupando o cargo de corregedor do TJ de Roraima, como também o então promotor de Justiça, Edson Damas. Nas gravações, Damas, que hoje é procurador da República em Roraima e antes investigava denúncias de corrupção na Companhia de Desenvolvimento de Roraima (Codesaima), aceita fazer um acordo com o diretor da empresa, Luiz Fernando Migliorin, para abafar o caso durante as eleições e restringir sua investigação.
Nessa conversa, Luiz Fernando deixa claro que só assumirá o comando da Codesaima se tiver a garantia do promotor Damas de que as investigações iniciadas não terão desdobramentos. "Querem e querem que eu assuma a Codesaima, (...) mas agora eu não tenho coragem, porque não sei até aonde que está a raiz desse negócio, entendeu?", diz Luiz Fernando ao promotor, de acordo com a fita. "(...) Melhor, assuma a Codesaima, então, assuma e vamos trabalhar juntos", responde Damas. Curiosamente, o nome do desembargador Robério volta com força neste caso. Isso porque Luiz Fernando era assessor dele no TJ.
A indicação do nome de Luiz Fernando Migliorin foi feita pelo desembargador Robério para evitar a investigação das denúncias contra a Codesaima. Apesar do escândalo ter sido amplamente divulgado na época, há seis mês espera-se pelo resultado do processo administrativo instalado na Codesaima. Antes de Luiz Fernando, a empresa era dirigida por Vilson Mulinari, cunhado de Neudo.
Segundo as denúncias levadas ao Ministério Público, os antigos diretores usavam "testas de ferro" para emissão de notas frias alegando que a empresa comprava mercadorias de pequenos produtores e ficavam com o dinheiro.
Condições - Em outro trecho da fita, o promotor Damas sugere algumas condições para fechar o acordo. "Se você assumir o trem lá e fornecer o que eu quero, eu paro nisso, e prometo segurar para depois das eleições, para não comprometer a eleição do Neudo", garante Damas. Logo em seguida, o promotor foi enfático. "Se houver essa disponibilidade, a gente senta, eu te mostro, chegamos num acordo e tal; eu quero os caras; eu quero pegar os caras, só isso", avisa Damas.
Procurado pela AGÒNCIA ESTADO, Damas evitou comentar o assunto. Mesmo assim, reconheceu sua voz nas gravações. "Só fiz a negociação para conseguir os documentos que eu precisava para a investigação", disse Damas, apresentando a mesma argumentação da época em que o escândalo foi divulgado. Em relação à lentidão do processo para apurar a corrupção na Codesaima, Damas alegou "questões éticas" para não falar sobre a questão.
Isso porque deixou de ser promotor estadual, já que assumiu o cargo de procurador da República. Atualmente, o caso está sendo apurado pela promotora Janaína Menezes.

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