Senado recua e aprova restrição a venda de armas
Washington, 14 (AE-AP) - Numa surpreendente reviravolta, o Senado americano recuou de uma decisão tomada na quarta-feira e aprovou hoje (14) uma medida para restringir a venda de armas de fogo em feiras especializadas, numa clara vitória política do presidente Bill Clinton - que tinha criticado duramente os senadores republicanos que haviam rechaçado a restrição.
A votação foi vista também como mais uma derrota da National Rifle Association (NRA), o poderoso lobby dos fabricantes e comerciantes de armas de fogo, criada para dificultar a aprovação de leis que limitem o comércio do produto.
A lei, que obriga todo vendedor de armas em feiras a examinar os antecedentes criminais dos compradores, foi aprovada por 48 votos a favor e 47 contra. A medida estende-se a vendas de armas usadas feitas por particulares.
Depois da votação de quarta-feira, quando a mesma medida tinha sido rejeitada, Clinton acusou a oposição republicana de dar aos EUA "a pior legislação existente" sobre controle de armas.
Depois do massacre de 15 pessoas promovido por dois integrantes suicidas de um grupo de estudantes neonazistas em Littleton, Colorado, no dia 20, educadores, políticos e psicólogos concordaram com a necessidade de o país adotar mecanismos mais rígidos de controle de armas.
Ante o risco de o partido sofrer prejuízo eleitoral por alinhar-se à posição comercial da NRA, o presidente da Comissão Judicial do Senado, o republicano Orrin Hatch, trouxe o projeto à nova votação.
Antes de os senadores voltarem a manifestar-se, Clinton declarou a jornalistas: "Simplesmente não creio que o Senado incorra duas vezes no mesmo erro." Durante a declaração, o presidente elogiou uma outra decisão tomada pelo Senado na quarta-feira, que proibiu menores de idade de portar armas de assalto automáticas ou semi-automáticas. "Não vejo razão para que uma criança tenha de possuir um fuzil AK- 47", disse.





