Brasília - O Senado deverá endurecer ainda mais o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), aprovado na semana passada pela Câmara, e que institui regras rígidas para presos de alta periculosidade. Os deputados elevaram de 30 dias para 365 dias o período máximo de isolamento dos presidiários. Já o relator do projeto no Senado, Demóstenes Torres (PFL-GO), vai sugerir que não haja prazos estabelecidos. ''Pode durar até a pena toda'', afirmou o parlamentar.
As visitas semanais e íntimas também serão redefinidas pelos senadores. ''Se é para endurecer, vamos endurecer'', declara o relator, que pretende ainda incluir no texto a realização de exames criminológicos para detentos em regime de progressão de pena.
O relatório de Torres será apresentado na sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima terça-feira, podendo ir no dia seguinte a plenário. Se aprovado, voltará para a Câmara. ''Queremos que a tramitação seja rápida'', afirmou o presidente da CCJ do Senado, Tasso Jereissatti (PSDB-CE).
Entre os senadores, há consenso para acolher as modificações sugeridas por Torres, que foi ex-secretário de Segurança Pública de Goiás. O senador defenderá ainda em seu relatório novos critérios para a visita de advogados. Um deles deve ser a proibição de troca de defensores durante um determinado período. Há casos em que criminosos, segundo o senador, trocam constantemente de advogados, ou vários deles o defendem ao mesmo tempo.
Para os senadores e juristas, também é unânime a necessidade da adoção da videoconferência nos presídios, evitando o transporte do detento para interrogatório na Justiça.

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