Brasília, 25 (AE) - Ao mesmo tempo em que debate as propostas de redução de pessoal no serviço público, o Senado preenche uma vaga de assessor parlamentar da liderança do governo - com salário de R$ 4.080,00. O ex-líder do governo no Senado Romeu Tuma (PFL-SP) assumiu a responsabilidade pela contratação. Ele disse que nomeou o cirurgião Cid Nogueira para prover a liderança de um assessor especializado na área de ciências e saúde.
O cargo foi dado a Nogueira, ex-diretor do Serviço Médico do Senado, 14 dias depois de ele se aposentar compulsoriamente, aos 70 anos de idade. A nomeação contrariou o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-DF), mas ele disse que nada poderia fazer contra a iniciativa de um senador. "Não posso me meter em assuntos do gabinete", alegou. Nos cargos do quadro do Senado, ACM proibiu a contratação de servidores aposentaos, como é o caso do médico.
A pesar da contratação para a liderança, Nogueira continua atendendo aos senadores no ambulatório do Senado. O médico justifica a contratação, alegando que os serviços são indispensáveis. "Tomo conta de todos os senadores", afirmou.
"Ainda agora aqui, estou com cinco casos", respondeu, irritado, ao ser entrevistado por telefone. Nogueira afirmou que a nomeação "é um problema do presidente".
ACM rebateu a afirmação. "Ele disse errado porque o problema é do líder que o nomeou." De acordo com assessores da presidência, ACM pediu um estudo sobre a nomeação de Nogueira.
O parecer que chegou às mãos dele desaconselhava totalmente qualquer iniciativa nesse sentido. Foi quando Nogueira teria iniciado um movimento para transformar em cargo de confiança a diretoria que ocupava. Como não conseguiu, obteve o apoio de cerca de 50 senadores para ser contratado novamente num cargo de confiança.
Tuma confirmou que, ao nomeá-lo, atendeu ao pedido de "vários senadores". Tuma defendeu-se, dizendo que não contrariou nenhuma lei, "já que havia a vaga". "Você não queria que eu saísse na rua para buscar um assessor", alegou. Para o senador de São Paulo, ACM e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PMDB-RN), presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que assumiu o cargo na semana passada, podem "desfazer" a nomeação, sem questionar se ele agiu bem ou mal em contratar o médico. "Por que é que eles não o demitem?", perguntou. "Agora, eu não posso fazer mais nada, já entreguei o cargo." Bezerra disse que não sabia dessa nomeação. Ele informou que aguarda a demissão de todos os ocupantes de cargos de confiança da liderança para, então, formar a "equipe profissional" com a qual pretende trabalhar. "Não farei da liderança um cabide de emprego", garantiu. "Preciso de uma equipe que preencha as necessidades do cargo."
Foi a segunda nomeação questionável do líder interino do governo nos três meses em que ele permaneceu no cargo. Em fevereiro, Tuma nomeou, nessa mesma vaga hoje ocupada por Nogueira, a filha do secretário-geral do Senado, Raimundo Carreiro, a estudante Juliana Carreira. Como não tinha o que fazer, o emprego funcionava como uma bolsa de estudo, uma vez que a moça passava o tempo do expediente estudando.
Informado do fato, ACM mandou Carreiro desempregar a filha. Agora, foi o secretário-geral quem apontou a vaga desocupada para o ex-diretor do Serviço Médico. Num encontro casual com Carreiro, ontem (24), Nogueira cumprimentou-o, chamando-o de "meu padrinho".

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