Brasília, 30 (AE) - O plenário do Senado foi tomado de grande inquietação, nos últimos momentos da sessão de hoje, ante o surgimento de proposta de não se votar hoje o projeto de resolução que permitirá à Prefeitura de São Paulo financiar diretamente com o Tesouro Nacional seus títulos emitidos irregularmente para pagamento de precatórios. Embora os senadores mostrem, em seus discursos, estar conscientes do risco que a não aprovação do projeto trará para o Banco do Brasil, muitos já começam a defender a transferência do problema para o Executivo. Está sendo sugerido que o governo crie uma operação do Proer (Programa de Incentivo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) para salvar o banco oficial, em poder do qual estão R$ 6,1 bilhões em papéis da Prefeitura paulistana que não serão financiados pelo Tesouro caso o Senado não aprove hoje o projeto de resolução. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que votará contra a resolução, disse que os senadores governistas estão preocupados. "Poucas vezes vi uma inquietação tão forte na base do governo", afirmou. O presidente e líder do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), após acompanhar as discussões por mais de uma hora, ao lado do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que a votação tem que acontecer hoje. "Se não aprovarmos essa resolução, será o primeiro passo para a privatização do Banco do Brasil", declarou Barbalho. Ele voltou a dizer que vota a favor "tapando o nariz", mas não vê outra alternativa senão a autorização para que os títulos sejam resgatados. A oposição anunciou há pouco que, se houver votação, vai exigir verificação de quórum e voto nominal.

mockup