Senado entra nas horas finais do julgamento de Clinton
Washington, 11 (AE-REUTERS) - Com a diminuição do apoio republicano aos artigos do impeachment, o Senado retomou seu terceiro dia de debates a portas fechadas nesta quinta-feira (11) antes de fazer a votação decisiva para inocentar e manter o presidente Bill Clinton no cargo.
Três senadores republicanos disseram ontem que votariam pela manutenção de Bill Clinton na Casa Branca, levantando a possibilidade de que nenhuma das duas acusações passíveis de impeachment atraia nem mesmo a estreita maioria de 51 votos, bem abaixo dos 67 votos necessários para destituir Clinton.
Após uma manhã com as câmaras desligadas e as portas fechadas, o líder republicano no Senado Trent Lott disse que 30 senadores ainda esperavam para falar e se eles não deliberassem até o início da noite, o Senado retornaria para a votação por volta das 11h da manhã de amanhã (horário local) ou mais tarde, entre 16h e 17h.
Numa irônica mudança de posição, um grupo de senadores democratas - diante da crescente perda de apoio ao projeto de censura parlamentar - informou que intensificaria a busca de votos para aprová-lo entre os adversários republicanos.
Os governistas favoráveis à reprimenda alegam estar agindo em nome da coerência. Desde o início do processo, vinham defendendo censurar o presidente como pena alternativa à destituição de seu cargo por uma falta de ordem pessoal.
O segundo processo de impeachment presidencial de toda a história dos Estados Unidos - no primeiro, contra Andrew Johnson
em 1868, ele acabou absolvido por um único voto -, chega ao fim como um desastre político para os republicanos.
Animados com a possibilidade de destituir Clinton, os conservadores são agora acusados de prolongar um processo com base em provas frágeis, contra a vontade da maioria dos norte-americanos e postergando decisões parlamentares indispensáveis para a administração do país.
Ao mesmo tempo, Clinton sai fortalecido de seu calvário político, pronto para retomar a busca por um lugar na história por algo mais do que a capacidade de sobreviver politicamente a escândalos sexuais. Em seu discurso sobre o Estado da União, do dia 19, ele deixou clara essa intenção ao anunciar "a maior expansão da história do país em tempos de paz" - vangloriando-se do bilionário superávit norte-americano, dos 18 milhões de postos de trabalho criados em seis anos, da redução da criminalidade e da posição de única potência mundial ocupada pelos EUA.
Ainda antes da emissão da sentença, a Casa Branca já se preparava para o retorno à normalidade. "O presidente Clinton está ansioso para prosseguir com seu trabalho", afirmou o porta-voz da presidência, Joe Lockhart. O Congresso norte-americano precisa votar os projetos de orçamento, da reforma do sistema de pensões e da destinação de verbas para educação e gastos militares.
Entre os analistas republicanos, o desejo é o de deixar que o fiasco da investida contra Clinton caia no esquecimento rapidamente. Eles tentam agora evitar dar aos democratas munição para aproveitar-se eleitoralmente do fracasso do processo de impeachment nas eleições do ano 2000, quando procurarão recuperar a maioria nas duas Casas do Congresso perdida nos últimos anos.





