Senado deve aprovar transferência de presos
Senado deve aprovar
transferência de presos
Agência Estado
Arquivo Folha
Tuma: sequestro não foi políticoO governo ainda não enviou ao Congresso o acordo que permitirá a troca dos sequestradores chilenos do empresário Abílio Diniz por presos brasileiros que estiverem naquele país. Já há um acordo destes assinado para beneficiar os sequestradores canadenses. A decisão é criticada por vários senadores, mas mesmo assim o texto deve ser aprovado. Para o líder do governo no Senado, Jáder Barbalho (PA), a iniciativa se explica pela preocupação dos parlamentares em não conceder tratamento privilegiado apenas aos canadenses Cristiane Lamnont e David Spencer.
O que não entendo é porque não há da parte da Secretaria de Direitos Humanos nenhuma atitude para que seja cumprida a progressão da pena de presos brasileiros, protestou o líder. O Ministério da Justiça argumenta que tem feito esses esforços, com mutirões judiciais, mas o trabalho esbarra na burocracia jurídica, que exige certidões de diversos especialistas para conceder a progressão.
De acordo com Barbalho, o ideal seria que o mesmo empenho ocorresse para acabar com a superlotação dos presídios brasileiros. O senador Romeu Tuma (PFL-SP) reconheceu que a ratificação do acordo pelo Congresso poderá não ser bem vista pela população. Ele disse que dará voto favorável, desde que seja convencido de que os chilenos vão cumprir o resto da pena no Chile. Tuma afirmou ter examinado vários documentos comprovando que o sequestro não teve motivação política. Eles teriam agido, na sua opinião, unicamente para arrecadar dinheiro.
O senador Ramez Tebet (PMDB-MS) defendeu que a proximidade da família ajuda a recuperação de deliquentes de qualquer natureza. E é sob esse argumento que ele pretende aprovar o acordo, mas quer ser convencido de que os sequestradores não ficarão em liberdade no Chile. Estão beneficiando alguém que cometeu um crime hediondo, protestou.
Já o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) cobrou do governo o exame das propostas que encaminhou ao Ministério da Justiça há três anos, tratando da transferência de presos. Segundo ele, esse procedimento ajudaria a acabar com as quadrilhas, no caso de presos brasileiros, e a reduzir o custo com a manutenção dos presos estrangeiros.





